Meu cunhado, que nunca parou em nenhum emprego, sempre gostou de levar vantagem em tudo.
Certa noite, ele chegou à minha casa dizendo estar com fome e convidou a minha esposa e a mim para irmos à pizzaria. Para evitar a companhia indesejável, inventei que a nossa grana estava curta.
— Desta vez é por minha conta!
— Vai pagar com que dinheiro, maninho? Pelo que sei você continua desempregado — resmungou a minha esposa.
— Não se preocupe. Pode confiar no mano aqui.
Tentamos recusar o convite com outras desculpas. Em vão.
Por indicação do cunhado, fomos à pizzaria recém-inaugurada, cuja fama se espalhava pela região. Quando chegamos, o expediente estava prestes a se encerrar. Antes de entrar, meu cunhado me olhou e disse:
— Eu pago a pizza e você o vinho.
Eu não estava disposto a meter a mão no bolso, mas minha esposa, que vivia querendo experimentar a pizza daquele estabelecimento, se antecipou:
— Combinado. Pagamos o vinho e você paga a pizza.
Entramos. Meu cunhado chamou o garçom e pediu:
— Uma garrafa do melhor vinho da casa e a pizza mais cara e saborosa. Para viagem, por favor.
O garçom saiu e minha esposa reclamou:
— Poxa, maninho. Vamos comer a pizza aqui mesmo.
— Se for para comer aqui, eu não pago.
O garçom pediu desculpas.
— Não vou pagar por esta pizza! Quero falar com o responsável!
Em razão do fim do expediente, depois de ordenar que as portas fossem abaixadas, o gerente apareceu, viu meu cunhado com a pizza e o vinho, e ouviu a reclamação atentamente. Em seguida, reuniu os colaboradores e afirmou:
— Eu e todos os nossos colaboradores temos a cabeça protegida por bandanas. Portanto, esse fio de cabelo não é daqui.
— Isso não prova nada — gritou meu cunhado.
O gerente fez um sinal, os colaboradores e ele tiraram as bandanas.
— Todos temos a cabeça pelada, em solidariedade ao proprietário que está lutando contra a leucemia.
Meu cunhado tentou deixar o local agarrado à pizza e ao vinho, mas um dos colaboradores o segurou pelo braço. Então, de posse de um tablet, o gerente reproduziu imagens da câmera de segurança flagrando o meu cunhado tirando um fio de seu próprio cabelo.
O garçom não demorou a voltar para depositar, educadamente, a pizza e o vinho sobre a mesa.
— Poderia trazer uma garrafinha d’água? Esqueci de pedir.
Solícito, o garçom foi buscar a garrafa, enquanto meu cunhado rompia a embalagem. Ao retornar, encontrou meu cunhado irritado apontando para a pizza.
— Vou denunciar vocês à vigilância sanitária. Eu não pedi









