Quase todo mundo sente vontade de falar sobre Educação. Prova disso é que sempre surge alguém com uma história para contar, uma crítica para fazer, uma solução para apontar, já reparou? Isso pode ser muito ruidoso, mas é humano, profundamente humano e, portanto, maravilhoso!
Primeiro, porque todos nós, adultos, um dia, fomos alunos e habitamos esse espaço sagrado e controverso chamado escola. Falar de Educação tem um gostinho de “volta ao lar”, não é mesmo? Já os pais que possuem filhos em idade escolar estão (ou deveriam estar) diretamente envolvidos nessa pauta. Os estudantes, então, nem se fala: estão brilhando no centro do palco! E os professores, ah, esses têm tanto a ensinar e a aprender que a Educação ocupa quase todas as suas conversas cotidianas.
Mas será que todos realmente podem falar sobre Educação? Claro que… sim! A autora Djamila Ribeiro (brilhante!) vive explicando que todos têm seu lugar de fala. “Lugar de fala não é o que se fala, mas de onde se fala”, ensina-nos essa voz potente da atualidade. “Então, todo mundo pode falar sobre tudo, só que de lugares diferentes.” Simples, não?
Eu falo de dentro da escola, o que me leva a convidar José Saramago para esta conversa. Nosso premiado escritor português (Nobel de Literatura!) dizia que precisamos sair da ilha para enxergarmos a ilha – eis meu desafio, pois, concordo, quem olha de fora pode ver algo que me escapa aqui dentro.
Por outro lado, vale pensarmos que quem está na ilha, isto é, “no chão de sala”, habita um lugar privilegiado nesse debate, não é verdade? Talvez seja por essa razão que haja tantos memes (divertidos!) de professores “revirando os olhos” quando submetidos a treinamentos realizados por profissionais que, aparentemente, pouco ou nada sabem sobre “a dor e a delícia” de ser professor. Nós temos uma noção profunda dos desafios (numerosos) que enfrentamos a cada dia. Porém, isso não deve excluir ninguém do debate – exclusão é um gesto sempre tão deselegante e desumano!
Para finalizar, passo a palavra para o filósofo francês Edgar Morin, que nos deixou recentemente sem, contudo, deixar de conversar com os que pensam e falam sobre Educação. Ele lembra que a escola precisa aprender a navegar “em um oceano de incertezas em meio a arquipélagos de certeza”. Sem dúvida alguma, todas as vozes importam quando o assunto é Educação, nosso porto seguro – passado, presente e futuro da humanidade que somos!
Assim, que as suspeitas e palpites, críticas e sugestões, enganos (sim, eles também!) e assertivas de quem está em alto-mar ou em terra firme continuem povoando nosso diálogo – coletivo, plural – sobre caminhos profícuos para a Educação. (Isso, aliás, é tão educado!).









