Vivemos em tempos de pura performance. Aquela viagem transmitida minuto a minuto nos stories. Aquela festa com os amigos devidamente marcados na foto. Aquele risoto de gorgonzola com pera e nozes que ficou horrendo, mas rendeu uma boa foto. Quase tudo é feito para ser mostrado. E, nesse grande campeonato de aparências, a leitura entrou pra jogo. O hábito de ler e interpretar, cada vez mais escasso nos nossos dias (falta amor no mundo, mas também falta interpretação de texto), passou a commodity social: todo mundo está lendo algum livro, postando alguma citação ou participando de algum clube de leitura. Mas algo que quase não se mostra é aquele momento em que a leitura simplesmente empaca. E então? O que fazer quando leitor e livro não dão match? Insistir ou desistir?
Primeiramente, é importante que se diga: abandonar uma leitura não é crime (a menos que o texto em questão seja esta crônica – neste caso, é crime inafiançável). É claro que, em muitos círculos literários e para algumas mentes brilhantes, fracassar na leitura de um livro pode ser motivo de vergonha ou chacota, principalmente se a obra em questão é um grande clássico. Mas não aqui, leitores. Isso posto, prosseguimos.
Imagine que você começa a ler aquele livro sensacional que um amigo indicou. Você lê as primeiras páginas e acha um porre, seja porque o ritmo do texto é lento demais, porque o estilo é ruim ou simplesmente porque você não achou o assunto interessante. Qual é a hora de desistir? Muitos especialistas afirmam sem pestanejar que o prazer na leitura e o tempo ali investido são o que mais importa. Ou seja, se você não está gostando ou se sente que está perdendo tempo, largue o livro – não importa se está na página 5 ou se já passou da metade. A vida é curta demais para leituras ruins.
Outra ala de leitores, com foco mais utilitarista, defende que o que realmente importa é saber extrair do livro o essencial. Assim, se a coisa não está indo do jeito que você esperava, não há nada de errado em fazer uma leitura dinâmica ou dar uma folheada de olho nos pontos-chave. E há ainda quem defenda que é sempre bom se informar sobre o livro antes de começar a leitura, para saber se ele realmente valerá a pena. Resenhas críticas, resumos e internet estão aí para isso, gente. Mais informação, menos frustração.
E, por fim, há quem defenda que o foco da leitura seja a experiência em si, e não a mera conclusão ou a utilidade daquele livro. Nesse caso, o processo não precisa ser prazeroso ou enriquecedor, e sim significativo para quem lê. Uma leitura pode nos marcar por mexer com questões muito íntimas, às vezes dolorosas. Ou então por conta do momento de vida em que estamos ao ler o livro. Ou, ainda, porque o lemos em conjunto com outras pessoas, trocando opiniões, perspectivas e afetos (como acontece no Clube de Leitura das Bibliotecas de Pinda). Em qualquer dos casos, o importante é que a leitura seja processo, e não fim. E, nesse sentido, não importa quantas páginas você leu, mas se elas fizeram sentido para você.









