Há homens que passam pela vida deixando marcas que o tempo não consegue apagar. Não são lembrados apenas pelos cargos que exerceram ou pelas obras de que participaram, mas, sobretudo, pela maneira como trataram as pessoas. O Dr. Antônio Pinheiro Junior, carinhosamente conhecido como Dr. Tonico ou Dr. Pinheiro, pertence a essa rara categoria.
Patrono da Cadeira nº 25-T da Academia Pindamonhangabense de Letras (APL), que tenho a honra de ocupar, Dr. Pinheiro é uma dessas figuras da história de Pindamonhangaba que merecem ser constantemente lembradas. Mais do que o médico da “estradinha”, como era conhecido, ficou na memória de muitos como o verdadeiro “médico dos pobres”.
Essa expressão chegou até mim pela voz de minha saudosa avó materna Anna Maria. Ouvi muitas vezes dela, com enorme carinho, referências ao Dr. Tonico. Quando falava dele, não era apenas o médico que aparecia em suas lembranças, mas o homem generoso, simples e sempre disposto a ajudar aqueles que pouco ou nada tinham. Para minha avó, “médico dos pobres” não era uma figura de linguagem: era o reconhecimento de uma vida dedicada também aos menos favorecidos.
E talvez seja justamente aí que esteja a grandeza de um médico. O conhecimento profissional pode salvar uma vida, mas a solidariedade é capaz de devolver dignidade a quem sofre. Dr. Tonico parece ter compreendido isso muito bem.
Sua atuação, porém, ultrapassou os limites do consultório e da medicina. Em 1945, a Associação Atlética Ferroviária enfrentava o desafio de conseguir um novo espaço para seu campo de futebol, depois que o terreno onde a equipe treinava fora desapropriado em razão da mudança do traçado da linha férrea. Uma campanha mobilizou associados, funcionários das estradas de ferro, moradores da cidade e também o Dr. Antônio Pinheiro Junior. O esforço coletivo permitiu a aquisição de um terreno no bairro Boa Vista, onde seria construído o novo campo.
Nessa caminhada, Dr. Tonico não estava sozinho. Outro nome sempre lembrado por minha avó era o de Zéca Giórgio, seu grande aliado no atendimento das necessidades dos pobres. Os dois, cada um à sua maneira, formavam uma espécie de corrente de solidariedade, procurando amenizar as dificuldades daqueles que recorriam a eles.
Dr. Pinheiro, entretanto, não viveu o suficiente para assistir à inauguração do estádio pelo qual tanto se empenhara. Em reconhecimento à sua dedicação e à sua participação naquele sonho coletivo, os dirigentes da Ferroviária propuseram que o novo estádio recebesse seu nome como patrono. A proposta foi aprovada por unanimidade. E assim nasceu o Estádio Antônio Pinheiro Júnior, uma homenagem que permanece viva no coração esportivo de Pindamonhangaba.
Mas a cidade foi além. Sua dedicação também foi eternizada em uma herma na Praça Monsenhor Marcondes e no nome de uma de suas grandes vias, a Avenida Antônio Pinheiro Júnior. São homenagens que demonstram que sua memória ultrapassou gerações.
Hoje, ao ocupar a Cadeira nº 25-T da APL, sinto que existe algo maior do que uma simples homenagem acadêmica. Existe uma história, uma memória e, sobretudo, a responsabilidade de manter viva a lembrança de um homem que minha avó Anna Maria chamava, com tanto carinho e admiração, de Dr. Tonico, o médico dos pobres.
Porque há nomes que não pertencem apenas ao passado. Pertencem à memória afetiva de uma cidade.









