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Jornal Tribuna do Norte

Curiosidades da Tribuna: Américo de Faria

ALTAIR FERNANDES CARVALHO

Da série referente a curiosidades da Tribuna do Norte, nossas lembranças e homenagens póstumas hoje são dedicadas a um de seus mais dedicados trabalhadores: Américo José de Faria, tipógrafo, gráfico, linotipista e cinco vezes responsável pela direção deste jornal.

Conforme pesquisa nos arquivos TN, Américo de Faria teria ingressado no jornal Tribuna do Norte como aprendiz de tipografia e logo alcançou o cargo de diretor. Esteve na direção pela primeira vez no período de 24/5/1885 a 18/6/1887. Posição que voltou a ocupar de 8/9/1889 a 24/11/19011; 14/9/1902 a 16/4/1905; 2/6/1907 a 23/11/1913 e, finalmente, de 1º/11/1925 a 8/11/1925.

Américo de Faria morreu aos 68 anos, tendo dedicado quase cinquenta à Tribuna, tinha 20 quando iniciara como aprendiz. Pela sua importância e dedicação à Tribuna, sua morte foi a nota triste do início de 1933. A edição de 5 de março daquele ano informou que “deixava a gerência do jornal e toda uma vida de muita luta e persistência um dos mais destemidos de seus guerreiros”. A primeira página daquela edição foi dedicada a homenagear o incansável Américo de Faria, relembrando sua integridade, caráter e compromisso com a Tribuna.

Entre os inúmeros artigos e comentários sobre sua passagem, um deles (não assinado) intitulado “Batalhador”, escrito talvez por um companheiro de jornal Tribuna do Norte, recordava: “Não somente na gerência ele expandia sua vontade de progredir. Nas oficinas muitas vezes o encontrei a lidar com os tipos, milagrosos sinaizinhos de chumbo que, entregues àquelas mãos diligentes e hábeis transformavam produções dos intelectuais pindenses em letras de forma”. E concluía, “Na labuta extenuante, ele sacrificou a saúde e o conforto, sem que os lucros pudessem compensar sua capacidade produtiva. Acima de tudo, porém, o batalhador colocava o jornal que vira nascer e progredir”.

As publicações referentes ao seu falecimento prosseguiram na edição seguinte, não faltando breves dados biográficos: “Américo José Faria morreu no dia 27 de fevereiro, às 14h20. Natural de Pindamonhangaba era filho de Américo José de Faria e dona Mariana. Foi casado em primeiras núpcias com Maria Eugênia de Almeida Faria. Do primeiro matrimônio deixa os seguintes filhos: Alcebíades de Faria, casado com dona Laura de Faria e Juvenal de Faria, todos residentes no Rio de Janeiro; do segundo casamento, deixa os filhos: Benedito de Faria, casado com dona Joana de Faria; Geraldo de Faria, casado com Juraci de Faria; Ernani de Faria, casado com dona Emília de Faria; senhora Oswalda de Faria Correard, casada com Augusto Correard e senhorita Maria José de Faria. O extinto deixa ainda os seguintes netos: Zilda, Plínio, Milton, Sonia, Manoelino e Antonio”.

O jornal destacava ainda em uma de suas publicações que Américo fora dedicado membro da Corporação Musical Euterpe, da Irmandade de São Vicente de Paulo e do Sagrado Sacramento.

Foi mestre de mestres

Outras interessantes memórias relacionadas a Américo de Faria viria escrever Argemiro Cypriano de Oliveira, na edição de 11/6/1968, em artigo que marcava o encerramento de sua passagem pelo jornal Tribuna do Norte. Argemiro foi outro “mestre” da Tribuna e tal qual Américo de Faria, foi heroica sua participação no jornal. No artigo utilizado para se despedir mencionou todos (nas diversas funções) que haviam passado pela Tribuna, incluindo o seu mestre, Américo de Faria, durante o tempo que ali permanecera.

Em seus escritos, recordando o início como aprendiz de tipografia, Argemiro conta que na época, em 1912, ele e o amigo José de Souza, conhecido por Zé Curtinho, eram dois molecotes que, dois meses depois de haverem iniciado na Tipografia Radium, foram para a Tipografia Tribuna do Norte, onde era diretor-gerente o Américo de Faria…

Relembrava Argemiro… “Lá aprendemos a lidar com os tipos, compor e distribuir, sendo a nossa professora a sra. Eugênia de Almeida Faria; mas nós, um pouco xeretas, queríamos ir além das ‘chinelas’. Queríamos aprender também paginação e impressão. Contando com a boa vontade do sr. Américo, ele nos transmitiu a arte de paginar e imprimir”.

O casal Tribuna do Norte

O artigo de Argemiro, doces recordações, também vem contar-nos a bela história sobre a existência, lá no início do século XX, de Américo e Eugênia… o casal maravilhoso da Tribuna, cujas vidas eles dedicaram ao jornal Tribuna do Norte… “Merece destaque a vida tipográfica desse casal admirável – Seu Américo e Dona Eugênia – que muitas semanas ficava até altas horas, aos sábados, para fazer a Tribuna circular no domingo. E quantas vezes, o sr. Américo deixava de comprar pão para os seus filhos para não faltar o papel da impressão. Inúmeras vezes fomos incumbidos de ir adquirir uma resma de papel ‘Germânia’ na loja de ferragens do sr. Antonio Ramalho, ao preço de dois e trezentos réis a resma de 500 folhas simples”.

Para concluir a Página de História desta edição, mais uma gostosa passagem extraída da crônica em que Argemiro fala de seu início na Tribuna dos tempos do Américo de Faria: “Aos domingos, como não tínhamos ordenados, éramos aprendizes, o sr. Américo nos entregava 10 exemplares da Tribuna para a venda avulsa. Saíamos às 9 horas e só retornávamos, mais ou menos, lá pelas 2 horas da tarde, e às vezes não vendíamos os 10 exemplares. O nosso pagamento era 200 réis da porcentagem”.

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