Hoje quero falar sobre pesos que carregamos, principalmente, nós mulheres com a vocação do cuidado. Eu sou a filha do meio, mas meus pais queriam muito um menino. Eu seria a segunda tentativa, então, toda expectativa de um filho homem estava sobre mim. Eu nasci mulher , mas é como se eu carregasse em mim, muito do que se espera de um filho homem tambem.
Meu pai casou 2 vezes, e ele que tanto queria um filho homem, teve 5 mulheres. E para eu entender que eu não era um fracasso? Quanto tempo isso levou? O que carrego no meu corpo e na minha alma, com tanta expectativa sobre mim? E a frustração dos meus pais, será que eu carrego?
As vezes, me pego pensando nisso, porque eu tenho muitas qualidades masculinas e femininas, obviamente. Su cuidadora, sensível, afetuosa, acolho com fartura na mesa, adoro cozinhar, agradar, enfim; mas eu também sei lutar, ter garra, ir atrás do que eu quero, prover a vida.
E de tanto prover, e tanto labutar, sobrecarreguei minha coluna cervical. Não tive estrutura corpórea para carregar tanta coisa e tantas pessoas. Estou em crise. Sinto muita dor. Injeção, pílulas, fisioterapia e muita oração. A partir de hoje, só quero ser mulher.
Com amor e dor, Daya









