Era o Caderno de Perguntas: Minha Rede Social dos Anos 90
Ah, o caderno de perguntas dos anos 90…. Quem viveu sabe que ele era mais que um pedaço de papel rabiscado, era a nossa rede social antes das redes sociais existirem. Era assim: ia passando de mão em mão, estilo Gossip Girl da época, e todo mundo queria estar dentro daquele furacão de segredos, beijos marcados, namoros inventados e confissões bombásticas.
Eu, confesso, não era a mais bonita — longe disso. Eu era magricela, briguenta e tinha um cabelão que parecia um personagem à parte. Mas, ainda assim, era popular. Talvez por isso eu fosse conhecida como o “Visconde Sabugosa”, um apelido que carregava esse jeitão meio estranho, meio forte, meio engraçado.
No nosso mundo, o caderno era sagrado. Lá, falava-se de beijos que nem tinham acontecido, namoros que só existiam no papel, e transas que, na verdade, não passavam da imaginação do coleguinha do lado. E eu? Eu sempre fui a sincerona da turma. Beijei sim, experimentei, e servia como cobaia dos tais beijos — inclusive para algumas meninas que hoje são mães de família e guardam para sempre aquela memória juvenil.
Mas tinha um segredo que eu jamais colocaria no caderno, nem se quisesse: será que eu era sapatão? Naquele tempo, a palavra era um tabu, um medo, um buraco negro que a gente não ousava nomear. Era meu segredo maior, bem guardado, porque naquela época até ser a “feia” tinha seu preço, mas ser diferente? Ah, isso era outro mundo.
Olhando para trás, consigo ver que eu era, sim, a feia — talvez a mais feia — mas ainda assim, a popular. Porque popularidade não é só um rostinho bonito, é atitude, é coragem, é ser quem você é mesmo que o mundo não entenda direito.
E assim seguimos, com esses pedaços de papel, esses segredos, esses risos e esses medos, rumo ao infinito das lembranças.









