Você é daquelas pessoas que diz “sim” com a boca e “não” com coração?
Aquele “claro, pode deixar” que sai no automático e, logo depois, vem o aperto no peito, o arrependimento, a vontade de voltar no tempo…
Para muita gente, dizer “não” é uma das tarefas mais difíceis da comunicação. A justificativa mais comum é: “não consigo desagradar o outro”. E realmente, lidar com o fato de que alguém está chateado conosco nem sempre é muito fácil.
E essa sensação pode ficar ainda mais desconfortável quando se embola no mesmo balaio a ideia de que estabelecer limites é o mesmo que falta de empatia. Eu falo isso porque atendo, com frequência, pessoas que fazem essa confusão.
Dizer “não”, nada tem a ver com falta de empatia ou compaixão. É uma informação que oferecemos ao outro sobre até onde conseguimos ir.
Quando recebemos um pedido ou estamos diante de uma situação em que é difícil dizer “não”, a comunicação não-violenta oferece o caminho de entender as nossas próprias necessidades e torná-las claras, primeiro dentro de nós mesmos, depois, externalizá-las para o outro.
Porque, nem sempre o que motiva nosso “sim” e “não”, está claro para nós. Nem sempre, conhecemos o que precisamos ou até onde estamos dispostos a ir ou abrir mão. E respondemos automaticamente, apenas pensando no desagrado alheio como medida, retirando nossas próprias necessidades da equação. E isso pesa muito.
Podemos levar o outro em consideração, desde que haja clareza do que nos move na direção dele. Sem essa clareza, ficamos nessa corda bamba, dizendo “sim”, quando queremos dizer “não”… Ou, dizendo “não”, quando queremos dizer “sim”.
Conhecendo os nossos padrões, dizer “não” pode até ser desconfortável, mas vai tornando mais sustentável. E, ao poucos, vamos percebendo que, dizer “não” a um pedido é uma forma de dizer “sim” a nós mesmos.









