
Dia desses eu tinha um evento do trabalho. E era daqueles em que todo mundo precisava ir de uniforme.
E eu odeio uniforme. Pronto, falei.
Uniforme padroniza. Apaga as cores. Diminui as diferenças. E, na minha opinião, existe algo profundamente triste em olhar para uma sala cheia de pessoas e ter a impressão de que alguém apertou o botão “copiar e colar”.
Enfim, está claro que tenho questões mal resolvidas com uniformes.
Só que, entre cumprir a regra do trabalho e conseguir me reconhecer na roupa que estava vestindo, fiquei naquele limbo desconfortável entre a obediência e a insatisfação.
Revirei meu armário. Nada.
E, como toda mulher sabe, a criatividade às vezes exige medidas drásticas.
Abri o guarda-roupa do meu marido. Sim, o guarda-roupa dele.
Foi então que encontrei um cabide cheio de gravatas. Escolhi uma que meu marido usava há uns vinte e cinco anos. Vinte e cinco anos! Porque algumas pessoas guardam memórias em fotografias. Meu marido, em forma de roupas guardadas.
Depois de vários testes, decidi usá-la como cinto.
E, de repente, o uniforme já não era apenas um uniforme. Era meu. Era eu!
Foi então que pensei em como passamos boa parte da vida tentando nos encaixar. No trabalho, na família, nas expectativas dos outros e, às vezes, até nas tendências da moda.
Mas estilo nunca foi sobre chamar atenção. É sobre reconhecimento. É olhar no espelho e pensar: “Essa sou eu.”
Talvez por isso eu tenha tanta implicância com uniformes. Não porque eles sejam o problema.
Mas porque acredito que toda mulher merece preservar aquilo que a torna única.
E esse também é um dos códigos da diva.
Não a necessidade de ser diferente por rebeldia. Mas a coragem de não desaparecer.
Porque caber é fácil.
Difícil é continuar sendo você.








