Outro dia enquanto andava pelo hortifruti perto de casa me senti transportada para o pomar do sítio onde passava as férias. O pomar do sítio nunca foi apenas um lugar cheio de árvores frutíferas. Para mim era um lugar onde o tempo parecia passar devagar, onde cada canto era especial, mágico. Ao caminhar por ele logo pela manhã, o cheiro das frutas maduras se misturava ao perfume da terra molhada pelo orvalho. O frescor da manhã e o perfume me trazia uma alegria imensa.
O pé de goiaba atraia passarinhos de todas as cores e espécies que passavam voando por mim parecendo me dar as boas-vindas, a jaboticabeira parecia um presente da natureza quando ficava coberta de bolinhas pretas brilhantes. As mangueiras faziam uma sombra generosa, que me convidada a sentar e ler meus livros, sim eu sempre levava um livro comigo nas férias. Eu conhecia cada árvore ali, sendo uma em especial, a Pitangueira, que por mim foi plantada… Ia me esquecendo do abacateiro com seus galhos forte que muitas vezes eu escalei.
Para nós, crianças, o pomar era o reino de aventuras, disputávamos quem encontrava a fruta mais bonita e doce. Voltávamos para casa ao final da brincadeira com as mãos sujas e o coração cheio de alegria. No período de colher as laranja era uma festa, uma alegria só.
Hoje quando relembro aquele lugar, percebo que o maior fruto do pomar não era a manga, o abacate ou qualquer outra fruta. Era o amor e a alegria com que brincávamos por entre as árvores, perfumes e cores. Toda vez que sinto o cheiro de uma fruta recém-colhida, volto por um instante àquele lugar da minha infância.
Afinal, certos lugares deixam de existir na paisagem, mas permanecem para sempre dentro de quem pode vivê-los.








