Outro dia ao entrar no tradicional Ponto Chic (na cidade de São Paulo) fui logo pedindo o carro chef (sanduiche bauru). Nessa antiquíssima lanchonete ou restaurante, como queiram chamá-la, fundada em 1922, no largo do Paissandu, onde permanece até hoje, surgiu o “bauru”.
Em várias lanchonetes o “bauru” ganhou presunto, alface, muçarela, bacon, ovo e a criatividade mandar.
Mas o tradicional bauru do Ponto Chic, que atualmente é considerado patrimônio imaterial do Estado de São Paulo, tem um modo preparo especial, histórico e cultural.
Criado pelo estudante de direito do Largo São Francisco, Casemiro Pinto Neto, que na noite do ano de 1930 ao entrar no Ponto Chic, ditou para o “chapeiro” o sanduiche que queria: com fatias finas de rosbife, tomate, picles e uma mistura de quatro queijos, derretidos em banho-maria, tudo no pão francês crocante.
Assim foi criado o sanduiche que ficou conhecido como “bauru”, pois esse era o apelido de Casemiro, que era originário da cidade de Bauru-SP.
É curioso pensar que uma certa quantidade de ingredientes possa trazer tanta memória.
É suficiente alguém dizer “vamos comer um bauru no ponto Chic que surjam simultaneamente o cheiro de pão tostado, a chapa quente, o queijo derretendo, e a conversa descontraída que não tem hora para acabar.
” O bauru, jamais foi um sanduiche afobado. Talvez seja exatamente esse o segredo, não tem pressa e é feito com carinho e dedicação.
Naquela tarde fiquei a saborear e refletir sobre a grandeza de uma criação espontânea, que surgiu da mente de um estudante de direito e ele nunca imaginaria que anos mais o “seu sanduiche” se tornaria patrimônio imaterial do Estado de São Paulo.








