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Leitura Jovem: Da estante do estudante para o Tribuna do Norte

O jornal Tribuna do Norte lançou uma inspiradora iniciativa semanal voltada a destacar dicas de livros sugeridas por jovens estudantes que amam a leitura.

Para dar início a esse projeto de incentivo cultural, a AJPL (Academia Jovem Pindamonhangabense de Letras) firmou parceria e seus membros passarão a indicar leituras marcantes.

“O objetivo principal é despertar o interesse de novos leitores, compartilhando histórias e experiências que enriquecem o universo literário da comunidade local”, salientou a jornalista e diretora do jornal, Cintia Martins Camargo.

A abertura dessa série de recomendações fica por conta da jovem acadêmica Laura Francesca, integrante atuante da AJPL. Com muita sensibilidade, ela escolheu indicar a aclamada obra “Canção para Ninar Menino Grande”, escrita pela renomada autora Conceição Evaristo.

Laura destacou, diante dos índices de feminicídio, a crítica feita pela autora ao machismo estrutural e à masculinidade tóxica.

A indicação promete envolver o público com uma narrativa profunda e reflexiva, típica da literatura contemporânea brasileira de grande relevância social e afetiva.

A iniciativa da Tribuna do Norte, aliada ao protagonismo da juventude da AJPL, reforça o papel transformador da leitura e valoriza os novos talentos literários de Pindamonhangaba.

Formação continuada fortalece práticas para o desenvolvimento da fluência leitora

A Unidade Regional de Ensino de Pindamonhangaba realizou a Formação Presencial “Fluência Leitora”, destinada aos professores que lecionam Língua Portuguesa para o 6º ano.

Os estudantes dessa etapa realizaram, no primeiro semestre, a Avaliação de Fluência Leitora por meio da plataforma Elefante Letrado.

A formação foi organizada e conduzida pelos Professores Especialistas em Currículo (PEC) Alessandra Mara, responsável pela pasta de Língua Portuguesa, e Daniel Dias, responsável pela pasta de Recomposição da Aprendizagem, que planejaram as atividades considerando as necessidades dos professores e os desafios relacionados ao desenvolvimento da fluência leitora dos estudantes.

A formação teve como objetivos compreender os fundamentos da fluência leitora e sua relação com a compreensão de textos; refletir sobre estratégias didáticas para atender estudantes com diferentes níveis de fluência; e planejar práticas pedagógicas que promovam o desenvolvimento de uma leitura fluente e expressiva no 6º ano.

Durante a formação, foram realizadas atividades práticas com jogos e com o sussurrofone, um recurso confeccionado com cano de PVC que permite ao estudante ouvir a própria voz durante a leitura.

O recurso pode contribuir para o desenvolvimento da fluência leitora, entendida como a capacidade de ler um texto com precisão, velocidade (automaticidade) e expressividade (prosódia) adequadas, favorecendo a compreensão do conteúdo e reduzindo o esforço excessivo durante a decodificação das palavras.

Ao utilizar o sussurrofone, o estudante tem a possibilidade de ouvir a própria leitura e perceber aspectos como trocas e omissões de palavras, dificuldades de decodificação, ritmo, entonação, pontuação e autorregulação.

Após a formação, algumas escolas já iniciaram a utilização do recurso em sala de aula, entre elas a EE Bem Viver e a EE Profa. Isis Castro de Melo César.

O grande objetivo da formação continuada é qualificar a prática pedagógica dos professores, contribuindo para a melhoria da aprendizagem dos estudantes.

Dessa forma, a URE de Pindamonhangaba busca atender às necessidades dos professores e estudantes, fortalecendo as ações voltadas ao desenvolvimento da leitura.

Neste mês, os estudantes realizarão o segundo teste de fluência leitora, possibilitando o acompanhamento de seu desenvolvimento e dos resultados das ações realizadas ao longo do período.

Desenvolvendo as habilidades sociais na Escola Estadual Eunice Bueno Romeiro

Habilidades sociais são comportamentos que podem ser desenvolvidos com o objetivo de melhorar as relações com o próximo, a forma de se comunicar, reconhecer os sentimentos e manter o respeito para com as pessoas.

Percebendo a importância dessas habilidades a serem praticadas no dia a dia, a Escola Estadual Profa. Eunice Bueno Romeiro, no bairro Pasin, em Moreira César, vem desenvolvendo ações em parceria com a vice-diretora Lais Ribeiro e a psicóloga Denise Maria, que atua na unidade escolar.

A escola promoveu uma atividade em grupo com alunas das 6ª séries, com o objetivo de fortalecer as habilidades sociais no dia a dia, desde expressões simples como “Obrigada”, “Bom dia”, “Bem-vindo”, “Por favor”, “Desculpa”, “Sinto muito”, “Gosto de ti” e “Olá”.

Tais práticas podem ser aprendidas e melhoradas e proporcionam resultados significativos, refletindo em uma comunicação respeitosa, empática e saudável.

A iniciativa contribui para a psicoeducação, bem como para o reconhecimento da importância do tratamento cordial, respeitoso e atencioso com os colegas no dia a dia da escola.

Muito além do placar: na Alzira Franco, esporte entra em quadra para transformar histórias

Uma das seis escolas participantes do ACDA (Atividades Curriculares Desportivas e Artísticas), a Escola Estadual Professora Alzira Franco aposta no futsal e no vôlei para movimentar o contraturno.

Entre alunos que voltam a pé para não perder o treino e jovens que descobriram uma nova paixão, está Wesley, o “Pelé da Roça”, que encontrou no futebol força para atravessar um dos momentos mais difíceis de sua vida.

Tem gente que entra em quadra querendo fazer gol. Tem quem esteja atrás daquele saque perfeito. Outros só querem estar com os amigos, aprender uma modalidade nova ou gastar um pouco da energia que parece nunca acabar.

Para Wesley Kauê, 14 anos, da 8ª B, porém, uma bola de futebol significa muito mais.

Hoje, ele fala sobre o esporte com sorriso e planos. Nos jogos interescolares, terá uma responsabilidade especial: será capitão do time da escola.

“Estou muito feliz, ainda mais que vou ser o capitão do time”, conta.

Mas, para entender o tamanho dessa felicidade, é preciso voltar alguns anos.

Em 2020, enquanto sua família atravessava um período muito difícil, Wesley conta que passou a lidar com muitos pensamentos e questões emocionais. Foi no futebol que encontrou uma forma de ocupar a cabeça.

“Fui jogando, fui me adaptando e fui esquecendo. Eu só queria saber do futebol, ver o Neymar jogando”, relembra.

Aos poucos, a bola virou paixão — e também companhia. Hoje, quando perguntado se está feliz, ele responde sem hesitar: “Bastante.”

É uma história que ajuda a explicar uma frase da diretora da Escola Estadual Professora Alzira Franco, Reneé de Oliveira França: “O esporte salva vidas.”

ACDA coloca a galera em movimento

A Alzira Franco é uma das seis escolas participantes do ACDA — Atividades Curriculares Desportivas e Artísticas, ao lado das escolas Milad, Escolástica, Pedro Silva, Eloyna Salgado e Alexandrina.

Na unidade, que atende estudantes do 6º ao 9º ano, as atividades de futsal e vôlei começaram em julho, no contraturno escolar.

Isso significa que, para muitos estudantes, o sinal da última aula não encerra o dia. Tem aluno que volta depois do almoço. Tem quem chegue de bicicleta. E tem estudante que encara uma boa caminhada só para não perder o treino.

Há dois anos na direção da escola, Reneé percebe que a vontade de participar é grande.

“Eles querem ir, querem voltar e não faltam”, destaca.

O professor de Educação Física João Lucas Apolinario Duarte dos Santos, responsável pelos treinamentos, explica que a proposta não é trabalhar apenas com quem já sabe jogar. A ideia é abrir espaço também para quem nunca praticou uma modalidade.

E os próprios estudantes ajudaram a fazer o projeto sair do papel.

“Eles queriam muito, estavam pedindo. Aí eu falei: ‘Já que vocês querem, então vamos’”, relembra João Lucas.

Mais do que jogar

Participar dos treinamentos também significa assumir responsabilidades.

Para Reneé, o esporte pode ajudar os alunos a desenvolver compromisso, disciplina e respeito. Na quadra, existe horário, regra, companheiro, adversário e até a necessidade de aprender a perder.

João Lucas costuma lembrar isso aos estudantes: “Eu não gosto de sair para perder, não. Mas, se perder, também faz parte da vida. Vocês vão aprender perdendo. Vamos treinar, vamos nos dedicar.”

Para a direção, alguns reflexos já aparecem até no comportamento dos alunos. Reneé relata mudanças positivas em estudantes que apresentavam questões emocionais ou dificuldades de disciplina.

“É algo que veio para agregar muita coisa positiva”, afirma.

E tem outro detalhe importante: a quadra virou espaço de convivência. No futsal, ninguém joga sozinho. No vôlei, muito menos. É preciso confiar no colega, respeitar o outro, trabalhar em equipe e entender que o resultado depende de todos.

“Ele é como um pai”

A relação entre o professor João Lucas e os estudantes também ajuda a explicar o sucesso dos treinamentos.

Wesley não economiza carinho quando fala dele.

“Ele é como um pai já. Ele é muito legal comigo. Fico bastante feliz e honrado de estar do lado dele sempre e em todos os momentos.”

Sobre a diretora Reneé, a resposta também é direta: “A diretora é maravilhosa.”

É nesse momento que o ACDA deixa de parecer apenas uma sigla. Para Wesley, o projeto tem rostos, amigos, professor, diretora — e uma bola.

Peraí… quem é o “Pelé da Roça”?

Calma que a história do nosso capitão não termina na parte séria.

Wesley também atende por um apelido daqueles que não passam despercebidos: “Pelé da Roça”.

Segundo ele, tudo começou depois de uma jogada daquelas que viram assunto no recreio. A bola subiu, voltou para ele e Wesley mandou uma bicicleta no canto do goleiro.

“Fiz a mesma coisa que o Pelé fez”, conta.

Pronto. Nascia o Pelé da Roça.

Se a bicicleta foi realmente nível Rei do Futebol, o Tribuna ainda vai precisar consultar o VAR. Mas confiança, pelo jeito, não falta para o capitão.

A próxima partida ainda vai começar

Reneé espera que o ACDA tenha continuidade. Para ela, projetos que apresentam resultados positivos precisam continuar encontrando espaço dentro das escolas.

Na Alzira Franco, os estudantes já mostram que querem esse espaço.

Eles voltam depois do almoço. Voltam andando. Voltam de bicicleta. Voltam porque gostam de futsal, porque descobriram o vôlei, porque querem estar com os amigos ou porque sonham em representar a escola.

E, no meio de toda essa movimentação, está Wesley. O garoto que encontrou no futebol uma forma de atravessar um período difícil agora se prepara para entrar em quadra como capitão.

No fim, os jogos interescolares vão dizer quem ganhou e quem perdeu. Mas talvez a vitória mais importante já esteja acontecendo antes mesmo de a competição começar.

E, convenhamos, algumas vitórias não precisam de gol. Precisam apenas de uma oportunidade para entrar em quadra.

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