Representante da resistência, força, tradição e das raízes históricas da população rural o carro de bois é visto como veículo imprescindível na colonização brasileira

(O carro de bois também foi muito utilizado no transporte de parentes e vizinhos entre povoados, sítios e fazendas por estradas de terra precária)
Recordando o carro de bois e a Pindamonhangaba antiga, encontramos na edição de 16/9/1906 do jornal Tribuna do Norte o destaque para a publicação de uma queixa endereçada ao intendente (prefeito), na época era o Dr. Benjamin Ribeiro, solicitando ao mesmo que se atentasse para “o chiar de carros de bois no centro da cidade”.
É difícil acreditar que alguém se sentisse incomodado com o histórico chiado, o poético e algo melancólico som produzido pelo carro de boi devido ao atrito do ‘cocão’ sobre o eixo.
Era um tempo no qual o carreador cuidava para manter bem lubrificado com sebo de boi ou, na falta deste, com sabão azul para que seu carro chiasse mais e melhor, isto é, “cantasse mais afinado”. Imagine se esse povo descontente vivesse hoje, morreria torturado com o “chiado”, barulho infernal e nada poético, promovido pela abertura e adulteração do escapamento das motocicletas e pelas ‘queimada de pneus’ dos ‘carros de boys’, circulando dia e noite pela cidade dos tempos atuais.
Carro de bois no Museu Nacional
Vinte e dois anos depois, uma nota interessante referente a carros de bois foi publicada na edição de 29/1/1928 da Tribuna, destacando que o carro de bois passara a ser objeto do acervo do Museu.
Com o título “Carro de Bois no Museu Nacional”, a nota iniciava desprezando esse folclórico veículo de tração animal como “maior inimigo das boas estradas de rodagem”.
Em seguida, revelava a intenção da Associação Paulista de Boas Estradas, por intermédio de seu vice-presidente Dr. Domício Pacheco e Silva, em promover o recolhimento de dois tipos de carros de bois, do mais comum, ao Museu Nacional.
A história desse meio de transporte tão presente no desenvolvimento de nossas culturas merecia ser preservada. Haveriam de ser incorporados à coleção de Etnografia Sertaneja, onde são recolhidos os documentos da vida diária das nossas populações.
Exemplares de carros de bois teriam sido então conduzidos por caminhões, no dia 14 de janeiro de 1928, da sede da Associação Paulista de Estradas em São Paulo, até o Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Responsável pela direção do museu na época, o Dr. Roquete Pinto recebeu os carros de bois.









