Minha primeira vez na Bienal do Livro foi há mais de 25 anos. Eu ainda estava no ensino médio.
Depois fui tantas vezes que perdi a conta.
Lembro de uma delas. Estava grávida da Laura e voltei para casa com livros sobre parto, pedagogia e psicologia da maternidade e alguns para bebês. Daqueles de plástico, para brincar na banheira.
Continuei indo.
Quando a Laura tinha 15 anos, levei minha filha pela primeira vez. E, de lá para cá, fomos juntas às três edições que aconteceram.
Pronto. Virou programa de mãe e filha.
Porque nós duas ficamos parecendo pintos no lixo naquela imensidão literária.
Ela fica ansiosa dias antes. Baixa o mapa da feira, entra no perfil das editoras preferidas, vê a programação, faz lista. É uma verdadeira maratona que a gente ama.
Voltamos cansadas, felizes e sempre com novas aquisições para a biblioteca familiar.
Este ano, a grande aquisição foi um livro de Santo Agostinho em latim.
Sim. Em latim.
Ela faz faculdade de Letras Português/Latim e quase pulou de alegria quando encontrou o livro. Durante todo o dia, ficou toda sorridente pelos corredores, gastando o dinheirinho que tinha guardado especialmente para gastar ali.
E eu fiquei olhando para aquela cena e pensando: deu certo.
Aqueles livros de psicologia e pedagogia da maternidade que comprei? Não sei onde estão. Na verdade, nem lembro se li.
Mas li centenas de outros.
Li para a Laura. Depois, li com a Laura.
Em todas as Bienais em que fui sozinha, desde que ela nasceu, sempre trouxe um livro para ela. Como hoje faço com a Carol. Aliás, em casa, há tantos livros quanto brinquedos.
E aparentemente funcionou.
Eu ajudei na construção de uma cidadã leitora. Uma menina que prefere livros a videogame, que usa camisetas com frases como “Eu preferia estar lendo” e “Capitu traiu ou não traiu?”.
Que participa de um projeto de extensão acadêmica que leva rodas de leitura para escolas públicas no subúrbio do Rio de Janeiro.
Que me mandou uma mensagem emocionada quando visitou pela primeira vez a Biblioteca Nacional.
E que, na vida adulta, pediu autógrafo para apenas duas pessoas.
Dois escritores.
Daniel Munduruku e Conceição Evaristo.
Joga no Google esses nomes e você vai entender o que eu estou falando.
Então é isso.
Depois de tantos livros, tantas idas à Bienal, tantos mapas, filas, sacolas e corredores lotados…
Eu acho que deu muito certo.









