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Como criar filhos

Muita gente nunca viu, nem ouviu falar da cabana escondida no Pico do Itapeva, onde mora o monge Chong.

Ele é um homem de baixa estatura, corcunda e de rugas milenares, que caminha lentamente, apoiando-se em um cajado.

Suas vestes são de lã crua e as sandálias, de folhas do buriti.

Ele tem olhos adocicados e voz canora.

Na semana passada, eu estava fazendo trilha quando encontrei um grupo de pessoas reunido em volta do monge.

Ouvi que queriam conselhos sobre como educar os filhos.

Uma jovem com oito semanas de gravidez sugeriu:

— O senhor bem que poderia escrever um manual parental, assim evitaríamos o desgaste da escalada.

— Ele já foi escrito pelo Senhor do Tempo — disse Chong.

Em seguida, levou o grupo ao bosque das árvores de todas as idades e deu um pedaço de fio de sisal a cada integrante.

Depois, posicionou as pessoas entre uma árvore seca e uma árvore-criança, e determinou:

— Escolham um galho de cada árvore, amarrem-no pela ponta e puxem-no para baixo, na direção do tronco.

Alguns galhos se quebraram; outros, nem se moveram.

Somente os galhos da árvore-criança eram obedientes.

Um homem de cabelos dourados, com cara de poucos amigos, resmungou:

— Eu não vim aqui para ficar brincando de amarrar galhos. Se eu soubesse que iria passar por isso, nem teria vindo. E sabe o que é pior? Aqui não tem sinal de celular!

O monge permaneceu sereno.

Esperou que todos finalizassem a tarefa e discorreu:

— Aquele que está atento aos rituais da natureza adquire sabedoria.

Somente na tenra idade é possível dobrar os galhos…

Enquanto as árvores vivem ao relento, muitos filhos são colocados numa redoma.

Proteger demais os filhos os torna vulneráveis para a sequência do caminho.

Pais não são eternos.

Em seguida, o monge colocou as mãos nos ombros do homem de cabelos dourados e disse:

— A tecnologia é viciante. Muitos desses aparelhos estão cumprindo o papel de babás, prejudicando a interação entre pais e filhos.

Depois de breve silêncio, concluiu:

— Conversem, abracem, riam com os seus filhos.

Estejam presentes na vida deles.

Sejam exemplos de honradez e empatia.

E isso é tudo!Muita gente nunca viu, nem ouviu falar da cabana escondida no Pico do Itapeva, onde mora o monge Chong.

Ele é um homem de baixa estatura, corcunda e de rugas milenares, que caminha lentamente, apoiando-se em um cajado.

Suas vestes são de lã crua e as sandálias, de folhas do buriti.

Ele tem olhos adocicados e voz canora.

Na semana passada, eu estava fazendo trilha quando encontrei um grupo de pessoas reunido em volta do monge.

Ouvi que queriam conselhos sobre como educar os filhos.

Uma jovem com oito semanas de gravidez sugeriu:

— O senhor bem que poderia escrever um manual parental, assim evitaríamos o desgaste da escalada.

— Ele já foi escrito pelo Senhor do Tempo — disse Chong.

Em seguida, levou o grupo ao bosque das árvores de todas as idades e deu um pedaço de fio de sisal a cada integrante.

Depois, posicionou as pessoas entre uma árvore seca e uma árvore-criança, e determinou:

— Escolham um galho de cada árvore, amarrem-no pela ponta e puxem-no para baixo, na direção do tronco.

Alguns galhos se quebraram; outros, nem se moveram.

Somente os galhos da árvore-criança eram obedientes.

Um homem de cabelos dourados, com cara de poucos amigos, resmungou:

— Eu não vim aqui para ficar brincando de amarrar galhos. Se eu soubesse que iria passar por isso, nem teria vindo. E sabe o que é pior? Aqui não tem sinal de celular!

O monge permaneceu sereno.

Esperou que todos finalizassem a tarefa e discorreu:

— Aquele que está atento aos rituais da natureza adquire sabedoria.

Somente na tenra idade é possível dobrar os galhos…

Enquanto as árvores vivem ao relento, muitos filhos são colocados numa redoma.

Proteger demais os filhos os torna vulneráveis para a sequência do caminho.

Pais não são eternos.

Em seguida, o monge colocou as mãos nos ombros do homem de cabelos dourados e disse:

— A tecnologia é viciante. Muitos desses aparelhos estão cumprindo o papel de babás, prejudicando a interação entre pais e filhos.

Depois de breve silêncio, concluiu:

— Conversem, abracem, riam com os seus filhos.

Estejam presentes na vida deles.

Sejam exemplos de honradez e empatia.

E isso é tudo!

Proseando - Maurício Cavalheiro

Maurício Cavalheiro
Maurício Cavalheiro
Membro da Academia Pindamonhangabense de Letras, da UBT União Brasileira de Trovadores e da ABRASSO Academia Brasileira de Sonetistas. Finalista do Prêmio Barco a Vapor – 2024 e do 1º Prêmio Bem-te-vi de Literatura para a Infância – 2025. Possui prêmios literários no Brasil e no exterior, e livros publicados nos gêneros poesia, infantil, romance, teatro, contos e cordel.
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