A festa para comemorar os seis anos da ruivinha aconteceu no salão de festas do condomínio.
O presente que mais chamou a atenção foi a caixa enorme do garotinho do apartamento 104. O que continha a caixa? Não fiquei sabendo, pois a mãe da aniversariante não queria presentes abertos durante a festa. Motivo: caso a filha não gostasse, o convidado não se sentiria constrangido.
Pouco antes do famoso “parabéns a você”, o garotinho do 104 disse à menininha ruiva:
— Minha mãe falou que a sua mãe parece uma elefanta.
A menina, com carinha de “não fale mal da minha mãe”, rebateu:
— A sua parece uma baleia! Minha mãe disse que toda vez que a sua mergulha quase não sobra água na piscina.
As crianças estavam a um milímetro das vias de fato quando as mães intervieram.
— Parem com isso! — ordenou a mãe da ruivinha.
— Ele falou que a mãe dele chamou a senhora de elefanta.
— E ela falou que a mãe dela disse que a senhora é uma baleia.
— Vamos embora! — decidiu a mãe do garotinho.
Quando percebi relâmpagos nos olhos das mães, saí de fininho. Mais tarde fiquei sabendo que o negócio ficou feio. Teve até polícia.
Hoje, como faço todas as manhãs, fui à academia. Sabe quem estava lá? A mãe da ruivinha e a do menino do 104.
— Você aqui? Desde quando você malha? – provocou a mãe da ruivinha.
— Malho há muito tempo. Sou sócia desta academia. Agora você… não tem cara nem corpo de quem faz exercícios.
O nível de tensão estava ficando perigoso quando o professor apareceu.
— Bem-vindas, novatas. Vou ajudar vocês a dar adeus a esses corpinhos rechonchudinhos.
Elas se entreolharam, indignadas e, depois de falarem poucas e boas ao professor, saíram abraçadas da academia. Eu ainda as ouvi dizer:
— Suar pra quê, né, amiga? Vamos tomar um café com tudo a que a gente tem direito na padaria!









