Outro dia estava pensativa em casa, uma amiga ligou e disse – “vamos no aniversário do meu irmão, vai ter uma roda de samba!” Eu nunca tinha participado de uma roda de samba até então!
Eu não estava a fim, mas ela tanto insistiu que acabei concordando e fomos.
A tarde estava ensolarada e a temperatura super agradável. Já me animei.
Lá chegando fomos recepcionadas pelo aniversariante que vindo na minha direção me deu um abraço caloroso de boas-vindas.
De repente surgiu um pandeiro, depois um cavaquinho, um violão, um bandolim, um atabaque, um repique, uma flauta aparece e assim o samba começou a rolar.
Sempre tinha um lugar para mais um. Traziam mais cadeiras, puxa uma para o lado, um copo era servido, um sorriso largo oferecido, e assim a tarde foi passando em clima de festa.
O samba tem dessas gentilezas: ele sabe receber.
O primeiro acorde parece despertar alguma coisa que estava adormecida dentro de mim.
Os pés começaram a ir junto com o ritmo, os ombros se soltam, e até eu que não sabia sambar encontrei um jeito próprio de me mexer.
Não importa se o passo é bonito ou o certo. No samba, alegria vale mais que técnica.
Há algo bonito de se ver e sentir, naquele círculo de pessoas. O samba contagia com uma alegria que se expressa nos rostos e na dança.
Um dançava e cantava ao lado da senhorinha, a moça tímida se arriscou no refrão, o senhor que conhecia todos os sambas sorria antes mesmo de a música começar.
O samba também possui memória. Quando alguém puxou um samba antigo, surgiram lembranças: um carnaval distante, um domingo em família, uma pessoa querida que já não está, um amor que ficou pelo caminho. E ninguém precisa explicar nada.
A música entende, e todos dançam e cantam em uma alegria contagiante.
Ao final da festa, segui para casa carregando no peito uma alegria que não cabia direito em palavras.
Porque afinal a roda de samba para mim não é apenas música, é um encontro é uma memória, é um abraço aconchegante.
É a vida lembrando a gente, por algumas horas, que ainda há muitos motivos para cantar e dançar.
Obrigada amiga por ter me convidado para esse encontro onde a alegria do samba me contagiou!








