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4ª Flipinda: três dias de encontros, histórias e conexões

Durante três dias, o Armazém da Lagoa se transformou em ponto de encontro para leitores, escritores, estudantes, artistas e apaixonados por cultura. A 4ª Flipinda – Festa Literária de Pindamonhangaba chegou ao fim deixando como principal legado aquilo que propôs desde o início: conexões.

Com o tema “Conexões” e o slogan “Contar histórias para que o mundo continue”, a edição deste ano reuniu literatura, música, artes, educação, história, tecnologia e diversidade em uma programação gratuita para públicos de diferentes idades. O movimento de pessoas ao longo dos três dias mostrou a força que a literatura ainda exerce como espaço de encontro, descoberta e troca.

Realizada pela APL – Academia Pindamonhangabense de Letras, com apoio da Prefeitura de Pindamonhangaba, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, e de parceiros, a Flipinda teve curadoria do escritor Joaquim Maria Botelho e homenageou Daniel Munduruku, um dos principais nomes da literatura indígena brasileira. Sua presença trouxe à programação discussões sobre ancestralidade, identidade, memória e a importância das narrativas indígenas na literatura brasileira.

A programação também contou com a participação do escritor André Kondo, além de mesas de debates e conversas, encontros com estudantes, atividades da Flipindinha, exposição Arte e Palavra, Feira da Vila, apresentações musicais, doação de livros pelas bibliotecas e espaços dedicados a autores, editoras e sessões de autógrafos.

Um dos destaques foi justamente a aproximação entre quem escreve e quem lê. Ao longo do evento, autores participaram da programação para apresentar e divulgar seus trabalhos, conversar com o público e compartilhar suas experiências. Editoras e grupos ligados à produção literária também marcaram presença, entre eles um grupo dedicado à obra de Ruth Guimarães, ampliando o contato do público com diferentes autores, trajetórias e possibilidades dentro da literatura.

A presença de escritores e editoras transformou o evento também em uma oportunidade para descobrir novos livros, conhecer histórias que ainda não fazem parte do repertório dos leitores e valorizar a produção literária. Para quem já acompanha esses autores, foi a oportunidade de encontrá-los de perto; para quem estava chegando agora ao universo dos livros, uma porta de entrada para novas leituras.

A Flipindinha levou essa experiência também para as crianças, enquanto os encontros com estudantes aproximaram a literatura do ambiente escolar. As diferentes atividades reforçaram a proposta de fazer da festa literária um espaço democrático, em que o livro não aparece apenas como objeto, mas como ponto de partida para conversas, questionamentos e novas formas de olhar para o mundo.

Para a presidente da APL, Rhosana Dalle, a realização da quarta edição reafirma justamente esse papel da literatura como instrumento de conexão e valorização da vida. “A palavra escrita atravessa abismos e conecta mundos. E é isso que estamos fazendo: contando histórias. Porque contar histórias é sinal de que a humanidade está viva. A presença de Daniel Munduruku, com a ancestralidade e a força da terra que sua obra carrega, e de André Kondo, com sua literatura constelar, fortalece esta 4ª Flipinda. Uma celebração como essa exige um elemento indispensável: precisa de gente. E tudo o que fazemos é para as pessoas”, afirmou.

A participação do público foi um dos destaques desta edição. Leitores, famílias, estudantes e visitantes acompanharam as atividades ao longo dos três dias, participaram das mesas e encontros, conheceram autores e tiveram contato com diferentes obras e expressões culturais. A presença de um público diversificado reforçou a proposta da Flipinda de criar um espaço acessível de convivência e troca, aproximando leitores, escritores, estudantes e demais agentes da cena cultural.

Ao chegar à quarta edição, a Flipinda reafirma sua importância no calendário cultural de Pindamonhangaba e sua vocação para valorizar a produção literária da cidade e da região. A festa também fortalece o trabalho desenvolvido pela Academia Pindamonhangabense de Letras, entidade que há mais de seis décadas atua na promoção da literatura, da arte e da cultura no município.

Criada em dezembro de 1962, a APL é a mais antiga academia de letras do Vale do Paraíba e mantém atividades contínuas voltadas à valorização dos escritores e à aproximação da literatura com a comunidade. Ao final dos três dias, ficam os livros que foram descobertos, as conversas que continuam ecoando, os encontros entre autores e leitores e as histórias que cada visitante levou consigo. Porque, se o tema desta edição foi “Conexões”, a 4ª Flipinda mostrou que contar histórias continua sendo uma das formas mais antigas — e mais potentes — de aproximar pessoas.

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