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Jornal Tribuna do Norte

VAI, BRASIL!!!

Cinco de julho de 2026.

A noite teve que adiar mais uma vez o grito envelhecido e esperançoso.

Não havia nuvens no céu. Elas estavam acostumadas a não chorar mais por infortúnios auriverdes. Preferiram acampar nos recônditos das montanhas.

Na cobertura de um edifício na região nobre da cidade, o estoque de fogos de artifício permaneceu inútil. Provavelmente seria usado em outros propósitos.

Apesar do revés, a gastronomia sofisticada e os vapores etílicos lutavam para amansar a frustração. Devido à mistura de frustração e álcool, ninguém percebeu quando o menino saiu do local, entrou no elevador e desceu engolindo o choro. Ele não queria demonstrar fraqueza diante da família, tampouco encharcar a camisa original da seleção.

Ao sair do edifício, ele se aninhou na calçada, abraçou os joelhos e, sobre eles, pousou o queixo. A decepção era tão grande que ele não conseguiu perceber a menina-moça sentada quase ao lado dele.

— Você está bem? — ela perguntou.

Sem mover a cabeça, ele resmungou:

— Quem poderia estar bem com a eliminação da seleção?

A menina-moça aproximou-se um pouco e o abraçou, tentando animá-lo, dizendo que daqui a quatro anos haveria outra oportunidade.

Na tentativa de conter o choro do menino, ela começou a deslizar os dedos pelos cabelos dele.

Foi aí que ele percebeu que ela estava descalça, usava um vestido remendado e exalava, pelo menos, uma semana sem banho.

Por um momento, ele pensou em se levantar e voltar para o apartamento. Mas o aconchego o desestimulava.

— A derrota não é o fim do mundo — disse a menina-moça. — Ela serve para mostrar que ainda não estamos preparados e que precisamos corrigir falhas.

O menino se perdeu em pensamentos. A menina-moça continuou:

— Existem coisas piores do que perder uma Copa do Mundo.

Ela se levantou e o menino pôde vê-la melhor. Ela era magrinha e tinha o rosto sujo de derrotas.

Enquanto ele a observava, a barriga dela roncou.

— Me ensina a fazer isso?

— Isso o quê?

— Barulho.

— Qual barulho?

A barriga dela roncou novamente.

— Esse! Me ensina a fazer? A minha nunca fez assim.

Encabulada, a menina-moça abraçou a barriga e disse:

— Não sou eu quem faz. Ela tem vida própria.

Proseando - Maurício Cavalheiro

Maurício Cavalheiro
Maurício Cavalheiro
Membro da Academia Pindamonhangabense de Letras, da UBT União Brasileira de Trovadores e da ABRASSO Academia Brasileira de Sonetistas. Finalista do Prêmio Barco a Vapor – 2024 e do 1º Prêmio Bem-te-vi de Literatura para a Infância – 2025. Possui prêmios literários no Brasil e no exterior, e livros publicados nos gêneros poesia, infantil, romance, teatro, contos e cordel.
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