Cinco de julho de 2026.
A noite teve que adiar mais uma vez o grito envelhecido e esperançoso.
Não havia nuvens no céu. Elas estavam acostumadas a não chorar mais por infortúnios auriverdes. Preferiram acampar nos recônditos das montanhas.
Na cobertura de um edifício na região nobre da cidade, o estoque de fogos de artifício permaneceu inútil. Provavelmente seria usado em outros propósitos.
Apesar do revés, a gastronomia sofisticada e os vapores etílicos lutavam para amansar a frustração. Devido à mistura de frustração e álcool, ninguém percebeu quando o menino saiu do local, entrou no elevador e desceu engolindo o choro. Ele não queria demonstrar fraqueza diante da família, tampouco encharcar a camisa original da seleção.
Ao sair do edifício, ele se aninhou na calçada, abraçou os joelhos e, sobre eles, pousou o queixo. A decepção era tão grande que ele não conseguiu perceber a menina-moça sentada quase ao lado dele.
— Você está bem? — ela perguntou.
Sem mover a cabeça, ele resmungou:
— Quem poderia estar bem com a eliminação da seleção?
A menina-moça aproximou-se um pouco e o abraçou, tentando animá-lo, dizendo que daqui a quatro anos haveria outra oportunidade.
Na tentativa de conter o choro do menino, ela começou a deslizar os dedos pelos cabelos dele.
Foi aí que ele percebeu que ela estava descalça, usava um vestido remendado e exalava, pelo menos, uma semana sem banho.
Por um momento, ele pensou em se levantar e voltar para o apartamento. Mas o aconchego o desestimulava.
— A derrota não é o fim do mundo — disse a menina-moça. — Ela serve para mostrar que ainda não estamos preparados e que precisamos corrigir falhas.
O menino se perdeu em pensamentos. A menina-moça continuou:
— Existem coisas piores do que perder uma Copa do Mundo.
Ela se levantou e o menino pôde vê-la melhor. Ela era magrinha e tinha o rosto sujo de derrotas.
Enquanto ele a observava, a barriga dela roncou.
— Me ensina a fazer isso?
— Isso o quê?
— Barulho.
— Qual barulho?
A barriga dela roncou novamente.
— Esse! Me ensina a fazer? A minha nunca fez assim.
Encabulada, a menina-moça abraçou a barriga e disse:
— Não sou eu quem faz. Ela tem vida própria.









