Assim que saiu do trabalho, encontrou a desconhecida no estacionamento. A loira usava um vestido curto, soltinho e levemente transparente. Estava encostada no carro. Ele a cumprimentou e pediu licença para poder sair com o veículo. Com um sorriso atrevido e voz sedutora, ela perguntou:
— Você pode me dar uma carona?
Aquilo só podia ser uma pegadinha. Coisa do Inácio, com certeza. Embora solícito, o colega vivia pregando peças em todo mundo. Pelo jeito, agora seria a vez dele.
— Pode me levar pra casa?
Pra sua ou pra minha?, ele pensou, enquanto procurava o tal de Inácio nos arredores. Talvez estivesse escondido atrás de alguma pilastra.
— Pode me levar?
Fosse ou não o Inácio, ele não ia deixar de dar carona àquela belíssima mulher.
— Entre, por favor.
Ele pegou a avenida pensando no que dizer, mas foi ela quem quebrou o gelo.
— Você é sempre assim, caladinho?
Ele transpirava. Olhou-a de soslaio e disse:
— Não é todo dia que uma gata me pede carona.
O papo foi fluindo, e, sem nem perceber, acabaram decidindo passar a noite em um hotel.
Na manhã seguinte, quando ele acordou, ela já estava em pé, olhando para ele com um sorriso vitorioso.
— Você caiu feito um patinho. Fui contratada para provar que você é um mulherengo, um traidor. Ficou tão bêbado que nem percebeu que tirei várias fotos íntimas de nós dois.
Ele teatralizou, levando as mãos ao rosto:
— Meu Deus! E agora? O que será de mim? Quem contratou você? E por quê?
— Só posso dizer que vou ganhar uma bolada pelo servicinho.
Tentando reverter a situação, ele fingiu lágrimas. A loira se comoveu.
— Não fique triste, por favor… Olha, apesar de tudo, eu gostei de você. Que tal um negócio? Se me pagar mais do que me prometeram, eu apago todas as imagens e digo que você é um homem fiel.
— Me explica uma coisa… Como me encontrou?
— Pela placa do seu carro. Só tive o trabalho de esperar você.
Ele se levantou, se vestiu e a acompanhou até a recepção. Pagou pela estada e caminhou calmamente até o carro.
— Vai cobrir a oferta ou posso entregar as imagens para serem mostradas à sua esposa?
Ele se aproximou dela, beijou-a demoradamente e disse:
— Eu não sou casado.
— Não? Mas e o carro?
— O carro é emprestado.