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PARA QUE SERVE O TEATRO?

Estávamos em plena pandemia da Covid 19, mas buscávamos as formas de poder manifestar nossa arte.

O Grupo Tesperiana, do IA3, apresentava na antiga Estação Ferroviária da Central do Brasil, no centro de Pinda, online, a peça “Medeia em Faces”, texto adaptado da “Medeia”, de Eurípedes.

Era assistido por um público de espectadores desde o Nordeste até o Sul do país.

Após as apresentações realizávamos uma conversa com esse público sobre o espetáculo e a sua produção.

Num momento de uma das apresentações, já próximo da conclusão do debate, o Fabio Mendes, o debatedor, perguntou se alguém mais desejaria se colocar.

__“Eu quero, Fabio! ” Era a Camila Benjamim.

Eu vou resumir o depoimento dela:

__“Eu saí de Pinda faz uns dez anos, mas não poderia deixar de falar sobre a experiência de ter feito parte de um projeto de teatro numa escola de periferia, onde eu estudava.

Eu nem sei como mensurar o quanto o impacto que ter participado desse projeto me transformou.

Acho que eu não chegaria onde cheguei de ter ingressado em uma faculdade pública, na UNESP aqui em Araraquara, ter feito mestrado e doutorado, tudo na área de Ciências Sociais, se não fosse por esse projeto de teatro.

Eu não poderia deixar de falar sobre isso, de agradecer às aulas, ao ensinamento, sobre a capacidade crítica que isso deu pra gente.

Isso mudou toda a minha visão de mundo, mudou toda a minha experiência como pessoa.

Eu até penso que só sobrevivi graças ao que o teatro me deu naquela época.

Eu me emociono assim porque é muito presente na minha vida.

Muito obrigado. ”

Esse é um dos depoimentos que eu tenho recolhido para montar um trabalho que refletirá sobre a influência do teatro na vida das pessoas que passaram por ele.

O teatro é uma das formas mais antigas de expressão artística e cultural da humanidade, porém, é notório que ele ainda ocupa um papel fundamental na sociedade.

Desde as antigas civilizações, ele tem servido como um espaço de reflexão, comunicação e transformação social.

A capacidade que o teatro tem de provocar o pensamento reflexivo; de permitir enxergar diferentes pontos de vista; de estimular a empatia e a compreensão do outro, ampliam de forma intensa a sua significância.

As histórias, seus personagens e conflitos, levam o público até muitas das questões sociais, políticas e humanas.

Além disso, em ambientes escolares, por exemplo, o teatro é uma poderosa ferramenta de educação.

Ele contribui para o desenvolvimento da linguagem, da criatividade e do pensamento crítico dos alunos; ajuda-os a se expressarem melhor, a trabalharem em grupo e a ganharem confiança.

Outro aspecto relevante do teatro é o seu papel na preservação da cultura.

As peças teatrais, frequentemente, retratam as tradições, os costumes e as histórias de um povo, mantendo viva a memória coletiva e fortalecendo a identidade cultural.

Muitas vezes, ele pode impactar fortemente o aspecto social quando utilizado como forma de denúncia ou crítica, abordando temas conflitantes como desigualdade, injustiça e direitos humanos, por exemplo, inspirando, dessa forma, mudanças e conscientização da sociedade.

O teatro promove o encontro entre as pessoas; a experiência ao vivo cria uma conexão única entre o ator e o público, e esse contato direto reforça o senso de comunidade e pertencimento.

Portanto, o teatro não é apenas entretenimento, mas uma ferramenta essencial para o desenvolvimento humano, cultural e social, desempenhando um papel indispensável na construção de uma sociedade mais crítica, sensível e consciente.

Alguém perguntou a um mestre:

__ “Para que serve o teatro? ”

O mestre respondeu:

__ “O teatro serve para lembrar ao homem que ainda é possível abrir os braços e acreditar no impossível! ”

O Teatrando

Alberto Marcondes Santiago
Alberto Marcondes Santiago
Natural de Pindamonhangaba, poeta, contista, letrista, ator, diretor, dramaturgo. Membro titular e Ex-Presidente da Academia Pindamonhangabense de Letras; fundador e Ex-Presidente da Associação Cultural Cootepi (atual Teatro Galpão); Ex-Presidente do Conselho Municipal de Cultura de Pindamonhangaba; fundador e Ex-presidente da Cia. Teatral “Cadê Otelo?” (Ganhadora do Mapa Cultural Paulista, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e do Festival Brasileiro de Teatro, da Funarte e Confenata). Homenageado pelo Conselho Municipal de Cultura de Pindamonhangaba pela atuação nas atividades culturais do município; Ganhador da Medalha do Mérito "Athayde Marcondes" de 2019 - Honraria concedida pela Câmara de Vereadores da cidade à uma pessoa, empresa ou instituição, que tenha contribuído destacadamente para a história e a cultura de Pindamonhangaba. Idealizador e realizador do FESTIPOEMA, que já realizou a sua 14ª Edição; participou da criação e realização do I Fórum Municipal de Cultura (“Um Novo Olhar Sobre a Cultura em Pinda”) e do Encontro de Artes Cênicas de Pindamonhangaba; foi Vice-presidente da Comissão Organizadora do I Conferência Municipal de Cultura de Pindamonhangaba e delegado representante de Pindamonhangaba na Conferência Estadual de Cultura.
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