
Uma casa, muitas histórias
No centro de Pindamonhangaba, o Palacete 10 de Julho guarda, em suas paredes, pisos, salões e ornamentos, parte importante da história da cidade. Construído originalmente como residência de uma família ligada à aristocracia cafeeira do Vale do Paraíba, o edifício atravessou diferentes momentos da vida pública do município. Ao longo de sua trajetória, abrigou a Câmara Municipal, a Prefeitura e outros serviços públicos, até assumir sua atual vocação como espaço dedicado à cultura, à memória e à preservação do patrimônio de Pindamonhangaba.
Há diferentes registros sobre a construção do Palacete. Alguns indicam que a obra começou por volta de 1850 e que o imóvel foi inaugurado em 1856, quando ainda era conhecido como Solar da Fazenda Tetequera. Já o parecer de tombamento federal do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – trabalha com o período de 1866 para início das obras e 1875, sua finalização. O projeto é atribuído ao francês Charles Peyrouton, profissional de grande prestígio na região. Sua atuação ajudou a introduzir no edifício referências arquitetônicas europeias que dialogavam com os padrões valorizados pela elite do período.
(O projeto do Palacete 10 de Julho, outrora Solar de Tetequera, é atribuído ao francês Charles Peyrouton / De Solar de Tetequera a símbolo da riqueza cafeeira)
Quem ergueu o Palacete?
A construção do Palacete não pode ser contada apenas pelo nome de quem concebeu seu projeto. Ela reuniu diferentes profissionais, saberes e trabalhadores. Entre eles estava o francês Pièrre Helly Chevassu, conhecido como Pedro Elias Chevassu, que chegou a Pindamonhangaba em 1855. Chevassu teria colaborado nos trabalhos da construção ao lado do mestre de obras Francisco Antônio de Carvalho, o “Chiquinho do Gregório”.
A execução também contou com uma mão de obra por muito tempo pouco reconhecida nas narrativas sobre os grandes casarões do café: trabalhadores negros escravizados, que participaram diretamente da construção de edifícios que transformaram a paisagem urbana de Pindamonhangaba e de todo Vale do Paraíba no século XIX. Reconhecer esses diferentes agentes amplia a compreensão desse patrimônio. Por trás de sua arquitetura estão os profissionais que projetaram e coordenaram a obra, mas também as muitas mãos que efetivamente a ergueram.








