Você quer ajudar ou apenas viajar barato?
Procura-se voluntários que queiram viver gratuitamente perto das Cataratas do Iguaçu
O Antagonista
Um hostel familiar em Puerto Iguazú, na Argentina, procura voluntários dispostos a colaborar 25 horas por semana em troca de acomodação.
Se você quiser morar de graça em uma ilha grega, eles oferecem acomodação e dois dias …
Revista Oeste
Brasileiros podem participar desse tipo de voluntariado? … Brasileiros entram na Grécia sem visto para estadias curtas, de até 90 dias dentro de um …
Família oferece 3 meses de moradia grátis na Patagônia, mas exige 25 horas de trabalho …
O Antagonista
Uma família de El Hoyo, na província de Chubut, na Patagônia argentina, está procurando dois voluntários para trabalhar em uma propriedade rural …
Três notícias em jornais. Três chamadas tentadoras de portais de turismo e emprego que parecem a resposta perfeita para quem quer mudar o mundo: “Venha fazer trabalho voluntário na Grécia”, “Nas cataratas do Iguaçu “, “Moradia grátis na Patagônia para 2 voluntários”. Para quem consome entre cinco e oito notícias diárias sobre o tema em busca de um propósito, eu por exemplo, mas o faço por pesquisa mesmo, o clique é quase automático. Mas a surpresa negativa sempre acaba por vencer.
O que há de errado em cruzar o oceano para ajudar o meio ambiente, animais ou seres humanos em cartões-postais globais? Absolutamente nada de ilegal, mas “imoral” talvez seja a palavra mais precisa.
As estatísticas mostram que mais de 80% da população mundial expressa o desejo de se voluntariar, mas esbarra na mesma parede: a falta de canais claros sobre como e onde começar. É nesse vazio de informação que o mercado age. Ao se deparar com anúncios reluzentes em destinos paradisíacos, o cidadão bem-intencionado acredita ter encontrado sua missão. Quando desembarca, a realidade se impõe: ele caiu na armadilha do “volunturismo”. Está apenas trocando seu tempo e energia por trabalho não remunerado, mascarado de altruísmo.
Não há crime em querer viajar gastando pouco. A questão central é a canalhice da chamada. Esses anúncios não apelam para a sua razão ou para a gravidade do problema que precisa ser resolvido; eles sequestram a sua emoção.
Existe uma linha pedagógica e ética que separa as duas coisas: o verdadeiro trabalho voluntário nasce para resolver a dor crônica de uma parcela da sociedade e tem uma causa social como fim e só pode ser realizado por pessoa física ou em uma organização social, não por uma empresa. O que essas empresas oferecem, sob o manto da filantropia, é apenas turismo de baixo custo com mão de obra gratuita.
Se queremos desinflar o mercado do volunturismo imoral e apoiar causas que realmente transformam realidades, precisamos mudar o nosso comportamento de busca e consumo. A proposta é simples e imediata:
1. Aplique o filtro dos 3 Ps (Problema, Público e Propósito): Antes de aceitar qualquer chamada de voluntariado, investigue a fundo a instituição. Quem é o público-alvo beneficiado? Vem de uma OSC (organização sem fins lucrativos)? Qual problema estrutural local está sendo resolvido? O seu trabalho vai empoderar a comunidade local ou apenas substituir um emprego que deveria ser pago?
2. Comece pelo seu código de área: Se a vontade de ajudar é genuína e não apenas um desejo de acumular carimbos no passaporte, olhe para os lados. A dor social mais urgente geralmente não está nas ilhas gregas, mas no bairro vizinho ao seu.
Mudar o mundo dá trabalho. Viajar de “graça” é turismo e legal. Saiba distinguir um do outro antes de arrumar as malas.









