Para algumas pessoas, dizer “não” é bem difícil porque normalmente vem embutida a tarefa do desagrado. E como eu trouxe, na reflexão da última coluna, muitas vezes essa ideia de desagradar os outros acaba sendo confundida com falta de empatia ou compaixão.
Mas hoje, gostaria de desdobrar um pouco mais esse assunto e lançar um olhar para um outro ponto um tantinho mais embaraçoso, que é o que nos custa dizer “não”.
Pois é, quando parece que dizer “não” é sobre o outro, de repente, a conversa vira e fica uma pergunta: quais serão as consequências, para nossa própria vida, daquele “não”?
Vejo muitos alunos viverem conflitos, e eu mesma também vivi, para colocar limites, dizer “basta”, não porque eles ou eu “não encontrávamos as palavras corretas”, mas por entendermos perfeitamente para onde aquele “não” nos levaria.
Dependendo das circunstâncias, um “não” nos pede posição, decisão, mudança de rumo, e isso pode ser bem exigente. De alguma forma, dizer “não” é deixar algo para traz: um gosto, uma maneira de viver, uma pessoa.
E é natural, diante de uma decisão assim, sentirmos medo porque apenas quem está nesse lugar pode avaliar o que tem a perder e o preço que isso vai custar.
Começamos a nos desembaraçar diante da dificuldade de dizer “não” quando olhamos para nós mesmos e questionamos o que nos prende a determinadas situações. Por que ainda nos calamos, ou engolimos… ou aguentamos… O que trago aqui é uma reflexão, porque vira e mexe, algum aluno traz essa temática nas aulas. Cada caso é um caso, cada pessoa é uma… não existe uma fórmula ou resposta pronta: faça assim ou assado.
Só aprendi, por mim mesma e por acompanhar muitas pessoas, que o preço de dizer “não” pode ser alto, mas o custo de calar, costuma ser a nossa própria paz.









