Com a chegada das temperaturas mais baixas e das mudanças bruscas do clima, os consultórios e serviços de saúde têm registrado um aumento significativo dos casos de infecções respiratórias. Gripes, resfriados, viroses e outras doenças das vias aéreas têm sido frequentes, trazendo sintomas que muitas vezes persistem mesmo após o desaparecimento da febre e do mal-estar.
Quem tem conversado com vizinhos, familiares ou colegas de trabalho recentemente, certamente reparou que as pessoas pegam uma gripe ou resfriado, e os sintomas principais (como febre e dor no corpo) melhoram, mas a tosse insiste em ficar por semanas. Junto com ela, uma rouquidão persistente tem deixado muita gente sem voz.
A chamada tosse persistente pós-viral continua por semanas depois que a gripe aparentemente já foi embora. Embora cause preocupação, na maioria dos casos ela ocorre porque as vias respiratórias permanecem inflamadas e mais sensíveis após a infecção. É um processo natural de cicatrização que pode durar de 3 a 8 semanas. Pequenos estímulos, como falar por muito tempo, respirar ar frio, sentir cheiros fortes ou até praticar atividade física, podem desencadear crises de tosse.
Dados da Fiocruz confirmam que o Brasil enfrenta um aumento expressivo na circulação de vírus respiratórios como o Rinovírus, a Influenza A e o Vírus Sincicial Respiratório.
Outro sintoma muito comum é a rouquidão, causada pela inflamação das pregas vocais devido ao esforço provocado pela tosse constante ou pela própria infecção viral. As cordas vocais incham e não conseguem vibrar direito. Se você força a voz para falar ou tenta tossir repetidamente para “limpar” a garganta, o atrito aumenta o inchaço, criando um ciclo vicioso que prolonga a rouquidão. A voz torna-se mais fraca, áspera ou até desaparece temporariamente.
Mas é preciso atenção quando esses sintomas persistem por mais de três semanas, pioram progressivamente ou vêm acompanhados de falta de ar, dor intensa no peito, febre persistente, perda de peso, sangue na secreção ou dificuldade para engolir. Esses sinais podem indicar complicações como pneumonia, bronquite, crises de asma, refluxo gastroesofágico ou doenças que acometem diretamente as cordas vocais.
Muitas pessoas recorrem aos antibióticos logo nos primeiros dias de sintomas. No entanto, a maioria das gripes e resfriados é causada por vírus, e os antibióticos não têm ação contra eles. Seu uso inadequado favorece a resistência bacteriana, aumenta o risco de efeitos colaterais e dificulta tratamentos futuros quando realmente forem necessários.
É importante lembrar que nem toda tosse precisa de medicamentos, mas toda tosse persistente merece atenção. O corpo costuma dar sinais quando algo ainda não está completamente resolvido. Manter a vacinação em dia, higienizar frequentemente as mãos, manter ambientes ventilados, ter alimentação equilibrada, dormir adequadamente e praticar atividade física regular fortalecem o sistema imunológico e reduzem o risco de complicações.









