Hoje escrevo para quem busca o amor incansavelmente. Para aquela que deseja, de todo o coração, amar e ser amada. Para a amiga, a senhorinha, a divorciada, a prima querida. Para todas as mulheres que já tiveram e continuam tendo o coração partido. Escrevo para aquelas que cantam para a Lua. Para as que se ajoelham diante da cama e pedem a Deus, aos santos, ao universo ou a qualquer força que esteja disposta a escutá-las: por favor, que dessa vez seja ele. Ou ela. Ou quem quer que seja. Para aquelas que acendem seu fumo numa mesa de bar e que, em certas noites, têm como melhor companhia um copo de cerveja e uma cadeira vazia do outro lado da mesa. Pouco importa se esperamos um homem, uma mulher ou os dois. Amor é amor. Desejo é desejo. Paixão é paixão. E a falta que eles fazem também não pergunta o gênero antes de doer.
Existe alguma coisa de místico na mulher que espera pelo amor. Pois, quando todas as explicações possíveis acabam, a gente começa a procurar respostas no invisível. Acendemos velas. Tiramos cartas. Olhamos a Lua. Fazemos simpatias que jurávamos não acreditar. Procuramos significados em coincidências absolutamente banais. Uma música tocando na hora certa. Um nome que aparece duas vezes no mesmo dia. Um sonho. Uma mensagem inesperada. O horário repetido no relógio. Qualquer coisa pode virar sinal quando o coração está desesperado por uma resposta.
E possivelmente, seja essa uma das dores mais antigas entre as mulheres: não apenas amar alguém que não nos ama, mas continuar acreditando que existe, em algum lugar, alguém capaz de nos amar como imaginamos que o amor deveria ser. Aquele amor absurdo. O amor das novelas, dos livros e dos filmes. O amor que atravessa cidades, guerras, famílias, anos. O amor que diz: eu viveria cem anos esperando por você. E então vem a parte difícil de escrever. Porque eu tive sorte. Eu conheci esse amor. Eu consegui.
E dizer isso diante de uma mulher que ainda chora pela ausência dele me parece quase uma crueldade. O que posso dizer àquela que está cansada de esperar? Àquela que pergunta, baixinho, se existe alguma coisa errada com ela? Àquela que já amou demais quem ofereceu de menos? Àquela que deita sozinha e, antes de dormir, ainda negocia com o universo mais uma vez? “Só espere”? Não. Há mulheres que já esperaram demais. E é por isso que eu não queira escrever uma promessa.
Não posso dizer que o grande amor chegará numa terça-feira qualquer, tocará a campainha e explicará todos os anos anteriores. Não sei se existe uma pessoa predestinada para cada uma de nós. Não sei se as cartas sabem, se a Lua responde ou se Deus interfere nesses assuntos. Sei apenas que há algo profundamente humano nessa insistência. Continuamos querendo amar mesmo depois de descobrir o tamanho do estrago que o amor é capaz de fazer. Isso, por si só, me espanta. Um coração partido deveria aprender a fechar suas portas. Mas não. Depois de algum tempo, ele deixa uma fresta. Depois abre uma janela. Um dia se pega olhando para alguém por dois segundos a mais. E começa tudo outra vez.
Há uma canção que diz que, quando morrer, voltará para buscar os instantes que viveu num mar. Talvez existam também os instantes que nunca vivemos, mas que nossa esperança viveu por nós. O beijo que imaginamos. A viagem que nunca aconteceu. A casa que não dividimos. A mensagem que não chegou. A pessoa que quase foi. O amor que poderia ter sido. Também fazemos luto dessas coisas. E pode ser que ninguém nos ensine isso.
Então, hoje, não escrevo para dizer às mulheres aflitas que parem de procurar. Tampouco para mandar que esperem. Escrevo apenas para sentar um pouco ao lado delas. Ao lado da mulher da vela acesa. Da mulher das cartas sobre a mesa. Da mulher ajoelhada diante da cama. Da mulher que olha a Lua como se ela soubesse de alguma coisa. …









