A gente sabe que a ignorância é uma prisão. E é justamente por isso que a educação se faz tão necessária: para a gente se libertar. Um imenso educador brasileiro dizia que ninguém pode fazer isso sozinho: “Os homens se libertam em comunhão, mediados pela realidade que eles precisam transformar”! A genialidade e a profunda humanidade de Paulo Freire sempre lhe permitiram discernir com clareza a missão da escola no combate a toda forma de dominação.
São muitas, felizmente, as vozes que se levantam em defesa de uma educação realmente libertadora. Não falta quem tenha um caminho para apontar, uma ideia para sugerir, uma receita infalível para nosso crescimento intelectual, social e humano. Eu mesmo aqui estou compartilhando estas reflexões como quem indica saídas para o caos que a ignorância, de forma sorrateira ou explícita, dissemina na vida da gente. Quem me dera contribuir (um tiquinho!) para o sucesso dessa empreitada!
Como se vê, minha pretensão não é assim tão grande, embora o sonho que me faz acordar todos os dias seja muito maior do que tudo aquilo que eu possa imaginar, sentir, escrever. Nessa peleja, rendo-me fácil, fácil à visão arguta da poesia, à qual recorro frequentemente em meus estudos e em inúmeras situações cotidianas. Não por acaso, ocorreu-me agorinha Thiago de Mello: “Quem não sonha o azul do voo perde seu poder de pássaro”.
Sonhemos então (com os dois pés no chão, como, aliás, salienta o poeta). Outro dia, em duas atividades pedagógicas distintas, experienciei o conceito da libertação em comunhão e a epifania poética sobre o sonhar empoderado do voo – eis o que venho compartilhar neste texto, mediado pela realidade que precisa ser transformada continuamente pela gente.
No laboratório de redação do curso pré-vestibular em que atuo, os alunos foram desafiados a produzirem projetos de texto a partir de uma proposta de redação Enem inédita. Como a visão crítica para analisar as problemáticas sociais que costumam ser abordadas em provas já está na gente, a tarefa é transformar o pensamento em um discurso claro, coeso, articulado e autoral. Pois bem, cada aluno desenvolveu seu projeto de texto, e o clímax da atividade foi o compartilhamento de ideias: cada um expôs para a turma sua tese, seus argumentos e os repertórios socioculturais mobilizados para a fundamentação da argumentação. Foi rico, frutífero, além de muito legal!
Já na Liga da Leitura, projeto desenvolvido com estudantes de ensino fundamental (anos finais) para a expansão da ideia de que precisamos “fazer barulho a favor do silêncio de uma boa leitura”, alunos de 7º ano compartilharam suas leituras atuais, apresentando uma síntese esclarecedora e crítica das histórias lidas. Alguns falaram ainda sobre o livro que estão escrevendo como exercício da aula de redação (aplausos para a professora que propôs esse trabalho!). Resumindo: foi rico, frutífero, além de muito legal!
Enfim, libertadora em sua essência, a educação potencializa as pessoas para a transformação de suas vidas e do mundo. Todos aprendem e se libertam em conjunto, em sintonia, cada um do seu jeito, no seu ritmo, conforme suas necessidades, planos e sonhos. Desse modo, a escola é o chão firme que impulsiona nossos voos, livrando cada um de nós das gaiolas ameaçadoras da ignorância.









