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Jornal Tribuna do Norte

O Ator Mauro Morais

Esse é o vigésimo texto sobre o nosso teatro que eu escrevo para a Tribuna do Norte. Nele eu vou falar de uma pessoa muito significativa no cenário teatral de Pinda: Mauro Morais.

Então vamos lá!

O papel das mulheres na sua vida foi muito significativo. Era o caçula da família. Tinha uma relação muito forte com a mãe, que já faleceu, e também com as irmãs. Uma o levou ao show da Shakira.

“Eu tinha 17 anos e virei fã.”

A outra o levou ao teatro para assistir o FESTE.

“Me apaixonei. Fiquei com um buraco dentro de mim. Até chorei. Então tive uma epifania: Eu quero fazer teatro.”

Elas lhe mostravam o mundo. Sua mãe e sua tia costumavam levar jornais velhos do trabalho, a Tribuna do Norte, para ler em casa. Então, um dia o Mauro folheava uma e leu que um grupo de teatro da cidade abrira teste para ator. Porém, estavam em julho e o jornal era de maio… Não conhecia ninguém, só tinha visto uma peça na vida, mas… Ligou do Orelhão. Foi a sua primeira atitude ousada.

Fez o teste e passou.

Hoje o Adiba, o diretor, conta que odiou seu teste. “Mas alguém, acho que a Tati, falou para ele me dar uma chance.”

Era 1999 e começaram a ensaiar a peça, o “Além”, num casarão antigo no Alto do Tabaú. Era uma experiência nova e desafiadora.

Depois montaram a segunda peça, “Bumba Meu Boi”, e ele foi o protagonista.

A peça ganhou o Mapa Cultural Paulista, viajaram bastante e ganharam mais de 70 prêmios em festivais nacionais.

“Eu ganhei alguns prêmios como melhor ator. Foi fantástico!”

Depois, montaram “No Meio Dia de Fim de Primavera”. Seguiram-se: “A Casa Fechada”, “Será o Benedito”, “A Folia do Homem Diabo”, “Estado de Sítio”, e hoje, a nova peça, “Sete Encruzilhadas – Jornada do Coração”.

Na época em que iam montar “A Folia do Homem-Diabo”, o Adiba lhe falou:

“Nessa peça nova eu quero que você a faça careca e nu.”

Então o Mauro antigo ressurgiu e disse: “Nu?! Sei lá… pode ser; careca, não dá”. Na época tinha bastante cabelo…, mas, acabou concordando.

Começaram os ensaios. Muita tensão: não conseguia, mas não dizia nada.

Próximo da estreia, no ensaio da cena do nascimento do Homem, venceu a hesitação e fez a cena nu. Sem anúncio, surpreendeu os companheiros.

“Eu, uma criança tímida que entrava no mar de camiseta…. Foi difícil.”

Na montagem de “Medeia em Faces”, com o “Coletivo das Tormentas”, estava ele nu de novo. O teatro já tinha realizado a transformação.

“Se eu não tivesse feito teatro não sei onde estaria… Talvez hoje trabalhasse, numa fábrica, num banco, numa padaria, sei lá…”

No “Estado de Sítio” o primeiro desafio foi na apresentação em Ponta Grossa, no Paraná. Nesse período ele estava doente, tinha sido internado. Estava com hemorragia, seu figurino era branco e ele sentia o sangue escorrendo. Foi desafiador.

No seu processo de aprimoramento técnico, estudou na Fêgo Camargo; fez teatro na Unitau para ganhar bolsa de estudo e lá participou de “O Tartufo”.

Queria se dedicar exclusivamente à arte, mas teria que ter algumas coragens e recursos que ele não tinha. Seu pai era pedreiro, sua mãe doméstica, enfim, algumas limitações.

“Eu nunca vivi da minha arte, mas sempre vivi a minha arte. Sempre a pratiquei.”

Bem, gente, vamos ter que dar uma parada aqui…

Continuaremos na publicação vindoura para não precisarmos suprimir trechos dessa história tão entusiasmante, mas que ficará bem mais longa que o permitido para essa coluna.

Vamos, portanto, pausar para continuarmos na próxima edição. Até lá!

O Teatrando

Alberto Marcondes Santiago
Alberto Marcondes Santiago
Natural de Pindamonhangaba, poeta, contista, letrista, ator, diretor, dramaturgo. Membro titular e Ex-Presidente da Academia Pindamonhangabense de Letras; fundador e Ex-Presidente da Associação Cultural Cootepi (atual Teatro Galpão); Ex-Presidente do Conselho Municipal de Cultura de Pindamonhangaba; fundador e Ex-presidente da Cia. Teatral “Cadê Otelo?” (Ganhadora do Mapa Cultural Paulista, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e do Festival Brasileiro de Teatro, da Funarte e Confenata). Homenageado pelo Conselho Municipal de Cultura de Pindamonhangaba pela atuação nas atividades culturais do município; Ganhador da Medalha do Mérito "Athayde Marcondes" de 2019 - Honraria concedida pela Câmara de Vereadores da cidade à uma pessoa, empresa ou instituição, que tenha contribuído destacadamente para a história e a cultura de Pindamonhangaba. Idealizador e realizador do FESTIPOEMA, que já realizou a sua 14ª Edição; participou da criação e realização do I Fórum Municipal de Cultura (“Um Novo Olhar Sobre a Cultura em Pinda”) e do Encontro de Artes Cênicas de Pindamonhangaba; foi Vice-presidente da Comissão Organizadora do I Conferência Municipal de Cultura de Pindamonhangaba e delegado representante de Pindamonhangaba na Conferência Estadual de Cultura.
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