
*Anderson de Carvalho
Assim como a gente, os cães e os gatos também envelhecem. Conforme o tempo passa, o comportamento muda: eles ficam mais tranquilos, dormem por mais tempo, apresentam dificuldades para enxergar ou ouvir e têm menos disposição para correr e brincar. Por isso, o cão ou gato idoso exige atenção e cuidados especiais, como alimentação adequada, higiene, acompanhamento constante da saúde por um médico-veterinário, conforto e atividades compatíveis com a idade. As crianças também podem, e devem, participar! Mas sempre com a orientação e a supervisão de um adulto.
Alguns cães ou gatos idosos ficam mais sensíveis ao toque, preferindo momentos de descanso e interações mais tranquilas. Também podem ter dificuldades para subir em lugares altos, correr ou caminhar por longos períodos e de acompanhar brincadeiras agitadas. Isso não significa que o animal deixou de gostar de brincar ou de receber carinho, significa que ele mudou e que é necessário aprender uma nova maneira de interagir com ele.
Uma criança pode participar de algumas tarefas simples. Junto de um adulto, ela pode ajudar a colocar água fresca, acompanhar o horário da alimentação, escovar o pelo do animal quando ele aceitar o contato e ajudar a manter o espaço de descanso organizado. Outra tarefa importante é observar. As crianças podem aprender a observar o comportamento do animal e perceber se o cão ou gato está com vontade de brincar ou se prefere ficar quieto. Se o animal se afastar, virar o rosto, rosnar, tentar se esconder ou demonstrar desconforto, é hora de parar a brincadeira e dar espaço.
Uma das principais lições com um animal idoso é que carinho não deve ser imposto. Mesmo que o cão ou o gato seja dócil e faça parte da família há muitos anos, ele pode sentir dor ou desconforto em determinadas regiões do corpo. Um toque que antes era agradável pode se tornar incômodo com o passar do tempo.
Um animal idoso pode brincar, mas deve-se respeitar suas condições físicas. Para cães, passeios mais curtos e tranquilos, brincadeiras de farejamento e atividades que não exijam corridas ou saltos excessivos podem ser boas opções, conforme orientação veterinária. Para gatos, brinquedos que estimulem a caça de maneira moderada podem proporcionar enriquecimento e diversão sem exigir grandes esforços físicos. Se o animal apresentar mudança repentina de comportamento, dificuldade para caminhar, falta de apetite, dor ou qualquer outro sinal preocupante, a criança deve comunicar um adulto. Os cuidados médicos são responsabilidade dos adultos e do médico-veterinário.
Participar da rotina de um bichinho idoso pode ensinar valores importantes, como responsabilidade, paciência, empatia e respeito. É importante ensinar as crianças a chamarem o animal para perto, em vez de persegui-lo para fazer carinho, evitar abraços e apertos, não puxar as orelhas ou a cauda e evitar acordar o animal durante o sono. Quando o animal escolhe se aproximar, a interação é mais segura e agradável para os dois. Com um animal idoso, a criança descobre que cuidar de outro ser vivo vai muito além de brincar. Ela aprende que amar também é oferecer conforto, tranquilidade e segurança, respeitando o espaço e os limites do outro.
Anderson é adestrador de cães, informações no Instagram @adestradorandersondecarvalho








