Bem-vindo ao Jornal Tribuna do Norte   Clique para ouvir áudio Bem-vindo ao Jornal Tribuna do Norte

Jornal Tribuna do Norte

Mestres dos disfarces: a arte da camuflagem na natureza


*Rafaela Fernandes

Você já imaginou conseguir mudar de cor para se esconder? Para alguns animais, isso não é imaginação: é uma estratégia de sobrevivência. Na natureza, mudar de cor pode ajudar um animal a se camuflar, escapar de predadores, se aproximar de uma presa ou até se comunicar com outros da mesma espécie.

Um dos exemplos mais conhecidos é o camaleão. Apesar de muita gente acreditar que ele muda de cor apenas para ficar igual ao lugar onde está, a mudança também está relacionada à temperatura, à luz, ao estado emocional e à comunicação.

É bastante comum achar que o camaleão muda de cor para ficar igual ao lugar onde está. Na realidade, o processo é mais complexo. A coloração do camaleão muda de acordo com a luminosidade e a temperatura do ambiente, com a interação com outros animais e com o estado emocional. A pele dele possui células especializadas que participam da produção e da reflexão de diferentes cores. Entre elas estão os cromatóforos, que contêm pigmentos, e os iridóforos, que possuem estruturas capazes de refletir a luz. Tudo isso permite que o animal apresente diferentes tonalidades e padrões. Um camaleão pode ter cores mais intensas quando está interagindo com outro indivíduo, principalmente em situações de disputa ou reprodução. Assim, a mudança de cor funciona como uma forma de comunicação.

Outro mestre da mudança de cor é o polvo. Ele consegue mudar rapidamente a coloração. O corpo do polvo possui células chamadas cromatóforos e outras que refletem a luz. Essa habilidade permite que ele se esconda entre pedras, areia e plantas marinhas, tornando-se muito mais difícil de ser percebido. Além da cor, o polvo também consegue alterar a textura e o formato da própria pele, criando uma aparência que combina ainda mais com o ambiente. Ao se camuflar, além de se proteger, o polvo também consegue caçar, pois fica praticamente imperceptível, atacando a presa no momento certo.

Outros animais, como os insetos, trocam o exoesqueleto várias vezes até chegarem à fase adulta. Temos como exemplo as cigarras e os gafanhotos. Para eles, a troca de pele é fundamental para que o corpo continue crescendo. Outro grupo bastante interessante são os anfíbios, especialmente algumas espécies de sapos e rãs. A coloração desses animais pode variar de acordo com fatores como a temperatura, a umidade, a luminosidade e até situações de estresse.

É importante dizer que nem toda mudança de cor acontece de forma rápida. Alguns animais levam horas, dias, estações do ano ou diferentes fases da vida para apresentar uma mudança. Um exemplo interessante ocorre com algumas raposas-do-ártico. Durante determinadas épocas do ano, elas podem apresentar pelagem branca, que as camufla em ambientes cobertos de neve. Em períodos sem neve, a pelagem pode ficar mais escura, ajudando o animal a se esconder entre pedras, vegetação e solo. Nesse caso, a mudança está relacionada à troca da pelagem e às estações do ano.

No fim, essas mudanças mostram como os animais estão profundamente ligados ao ambiente em que vivem e que existem diferentes maneiras desses bichos transformarem o próprio corpo em proteção, comunicação e adaptação. Observar isso é entender melhor como a vida na natureza funciona. O que para nós parece ser apenas uma mudança de cor ou de aparência é, muitas vezes, uma ferramenta essencial para a sobrevivência do animal.

*Rafaela é estudante e auxiliar veterinária.

loader-image
Pindamonhangaba, BR
10:49, am, outubro 2, 2026
21°C
céu limpo
68 %
Wind Gust: 10 Km/h
Clouds: 3%
Sunrise: 06:38
Sunset: 17:38

Notícias relacionadas

Categorias

Redes Sociais

Clique para ouvir áudio