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Mauro Morais, Continuação

Bem, pessoal, para retomar a empolgante trajetória do Mauro Morais nas artes cênicas de Pinda, vamos começar falando de uma atividade que tem sido altamente relevante na sua trajetória: a Paixão de Cristo.

Quando o grupo de jovens da igreja do seu bairro resolveu montar a “Paixão”, convidaram-no. Ele fez o Cristo.

“Eu comecei a fazer a Paixão de Cristo na igreja com 18 anos. Senti aquele impulso que me fez virar ator. Eu sou ator profissional há vinte e tantos anos e continuo fazendo Paixão de Cristo até hoje, ininterruptamente.”

Quando entrou no Controvérsias o Adiba já fazia a Paixão de Cristo na Ferroviária. Ele o convidou. Fez um cego.

No ano seguinte fez: Jesus no seu bairro, o apóstolo João na Ferroviária e Jesus nos Salesianos.

Quando o Adiba foi morar em Caraguatatuba, ele montou a Paixão de Cristo lá e o convidou para fazer o Cristo. Ele aceitou e já está lá há 17 anos.

“Desde 1999, há 28 anos, eu faço Jesus. A ‘Paixão’ é um drama que já é de conhecimento geral, tem uma ótima dramaturgia e dá ao ator um contato muito próximo ao público. Você sente profundamente que está representando o que as pessoas realmente acreditam e mergulham naquilo. A devolutiva é muito forte. É lindo!”

Em Caraguatatuba, alguns anos atrás, começaram a filmar algumas cenas como o momento em que estão pregando as mãos do Cristo e da prisão no Getsêmani e ficou muito bom.

“Às vezes o Adiba põe a gente numas fogueiras… É muito doido. Ele é maluco! Por exemplo, no primeiro ano em que eu fui, a Ressurreição era num elevador de 15 metros sem apoio nenhum, sem equilíbrio. Aí você, que é novinho, não tem medo, se equilibra e vai. Depois de alguns anos apareceram com um cinto de segurança. Melhorou…”

Teve um ano em que o Mauro estava muito adoentado, tinha acabado de sair de uma internação. Estava muito debilitado, muito magro, com muita tontura, então colocaram um suporte atrás para encostar

“Aí colocaram essa coisa para encostar… Mas o que eu quero falar é dessas armadilhas, desses desafios que o Adiba põe? No primeiro ano veio com um elevador que não tinha segurança nenhuma; no ano passado ele chamou pra ensaiar durante a semana. Eu fui. Quando chego lá, não é ensaio, é gravação.”

Aos 21 anos o Mauro passou no concurso público e trabalhou na Saúde por oito anos. Pelo seu envolvimento nas artes, foi transferido para o Museu.

Para melhor se capacitar estudou história da arte, curadoria e toda essa gestão cultural.

O teatro mudou a sua vida e graças a ele foi estudar a arte. Teve vontade de se arriscar e viver exclusivamente de teatro. Mas aquele momento do seu fazer teatral acontecia num instante significativo do teatro na cidade e com aquele movimento tão efervescente aqui, ir para São Paulo não era tão urgente.

Mas ele foi para São Paulo estudar, buscar experiências. Fez um curso na SP Escola de Teatro, passou no teste para o Teatro Oficina, foi selecionado no Experimento de Performance com o Dênny e Bulhões, experimento este que se tornou “Os Cegos”, performance que rodou o mundo maravilhosamente.

Bem, vou encerrar esse texto com uma fala do próprio Mauro Morais.

“Embora o teatro nunca tenha me financiado, cuidou da minha saúde mental. Acho que ele me deu muito mais do que daria se eu tivesse num grupo profissional. Conhecer pessoas, a humanidade, o humano das pessoas…. Nós atores somos de uma classe privilegiada na espécie humana porque somos humanos, sensíveis, expressivos, temos facilidade de exteriorizar, enfim.”

O Teatrando

Alberto Marcondes Santiago
Alberto Marcondes Santiago
Natural de Pindamonhangaba, poeta, contista, letrista, ator, diretor, dramaturgo. Membro titular e Ex-Presidente da Academia Pindamonhangabense de Letras; fundador e Ex-Presidente da Associação Cultural Cootepi (atual Teatro Galpão); Ex-Presidente do Conselho Municipal de Cultura de Pindamonhangaba; fundador e Ex-presidente da Cia. Teatral “Cadê Otelo?” (Ganhadora do Mapa Cultural Paulista, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e do Festival Brasileiro de Teatro, da Funarte e Confenata). Homenageado pelo Conselho Municipal de Cultura de Pindamonhangaba pela atuação nas atividades culturais do município; Ganhador da Medalha do Mérito "Athayde Marcondes" de 2019 - Honraria concedida pela Câmara de Vereadores da cidade à uma pessoa, empresa ou instituição, que tenha contribuído destacadamente para a história e a cultura de Pindamonhangaba. Idealizador e realizador do FESTIPOEMA, que já realizou a sua 14ª Edição; participou da criação e realização do I Fórum Municipal de Cultura (“Um Novo Olhar Sobre a Cultura em Pinda”) e do Encontro de Artes Cênicas de Pindamonhangaba; foi Vice-presidente da Comissão Organizadora do I Conferência Municipal de Cultura de Pindamonhangaba e delegado representante de Pindamonhangaba na Conferência Estadual de Cultura.
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