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Jornal Tribuna do Norte

Há 184 anos nascia João Marcondes de Moura Romeiro

ALTAIR FERNANDES CARVALHO

Nascido a 26 de maio de 1842, seu pai era o sargento-mor da Guarda de Honra de D. Pedro I, José Romeiro de Oliveira; sua mãe, dona Ana Marcondes de Moura Romeiro.

Foi casado com sua sobrinha, Ana Francisca Marcondes de Moura Romeiro, e pai de 14 filhos.

João Marcondes de Moura Romeiro foi advogado, juiz, jornalista, deputado, vereador e escritor.

Morreu aos 73 anos, no dia 8 de julho de 1915, dois dias antes do 210º aniversário de emancipação político-administrativa de sua terra natal.

Advogado

Seus primeiros estudos, o primário, ele fez em Pinda.

Em seguida foi para Baependí, em Minas Gerais, onde concluiu curso equivalente ao 2º grau.

Em 1861, ingressou na Academia de São Paulo (faculdade), recebendo o grau de bacharel em Ciências Sociais e Jurídicas, em 1865.

Foi como advogado que ele iniciou sua carreira de homem público, homem do povo.

E começou abrindo escritório em Pindamonhangaba.

Atendia sem distinção de raça, credo ou posição social.

Seu empenho e dedicação ao estudo do Direito o levaram ao cargo de Juiz Municipal, nomeação ocorrida em 1867 e exercida até 1869.

Deputado

Nascido com o dom da palavra escrita e falada, seus conhecimentos sobre ciências social e jurídica, e também da retórica, da lógica, da oratória e da história o levaram a enveredar-se pelos caminhos da política, filiando-se ao Partido Liberal.

Segundo o Dr. Mateus Romeiro Neto (neto de João Romeiro), em conferência pronunciada por ocasião do centenário do jornal Tribuna do Norte (11/6/1982):

“seu avô nascera sob o signo da Revolução Liberal, pois um mês antes os liberais haviam iniciado o movimento revolucionário e aclamado Rafael Tobias de Aguiar como presidente dos paulistas”.

Além do fato de seu pai ter sido “político militante e membro influente do Partido Liberal da época”.

Concorrendo a uma vaga na Assembleia Provincial de São Paulo foi eleito deputado provincial (na República, deputado estadual) pelo Partido na 23ª legislatura (1878-1880), sendo depois reeleito.

Fundador do jornal Tribuna do Norte foi cidadão muito estimado em Pindamonhangaba e por onde passou, sempre preocupado com o bom desempenho de suas atividades profissionais e políticas.

Fundação Dr. João Romeiro

Há 46 anos, em sua edição de 10 de maio de 1980, o jornal Tribuna registrava, na página destinada à publicação de editais, leis etc., a lei da criação da Fundação Dr. João Romeiro, assim iniciada:

“Prefeitura Municipal – Lei nº 1.672, de 6 de maio de 1980. Autoriza o Executivo Municipal a instituir a Fundação D. João Romeiro.

O Dr. Geraldo José Alckmin Filho, prefeito municipal de Pindamonhangaba aprova e promulga a seguinte lei:

Art. 1º – Fica o Executivo Municipal autorizado a instituir a Fundação Dr. João Romeiro, com personalidade jurídica de direito privado, destinado ao exercício de atividades jornalísticas, culturais e turísticas…”

Jornalista

Concluído seu mandato como deputado estadual, retornou a Pindamonhangaba mais maduro intelectualmente.

Foi quando, no dia 11 de junho de 1882, fundou o jornal Tribuna do Norte.

Eram de seu conhecimento todos os problemas políticos e administrativos não só de Pindamonhangaba, mas de todo o Brasil.

Desejava um periódico para defender as aspirações de progresso, liberdade e justiça dele e dos cidadãos pindamonhangabenses.

Sua ideia era que o jornal fosse um “veículo para exercer a crítica às ideias contrárias aos seus princípios, não a crítica do céptico e radical, mas a crítica lúcida, nobre e construtiva”.

Como jornalista, não como proprietário de jornal, destacou-se por sua imparcialidade.

Várias foram as lutas por ele sustentadas à frente do jornal Tribuna do Norte.

Entre elas, estão registradas na história de Pinda: abolição da escravatura, adesão à República, instalação de água encanada, construção do prédio da escola Dr. Alfredo Pujol, instalação do Haras Paulista, construção da Estrada de Ferro Campos do Jordão e a fundação da Escola de Farmácia e Odontologia.

Vereador abolicionista

As ideias abolicionistas de João Romeiro já vinham de longa data.

Antes de fundar a Tribuna do Norte, fundou o Clube da Lavoura, no dia 8 de dezembro de 1880.

Na solenidade de inauguração seu discurso foi uma crítica ao sistema de trabalho na lavoura, que era sustentado pelo braço escravo.

Perante aos ricos fazendeiros que integraram aquela entidade ele propôs que “se estudasse um outro sistema, mais de acordo com as ideias daquele século”.

Acontecendo de ter sido eleito vereador e presidente da Câmara de Pindamonhangaba para a legislatura 1887/1889, “seus princípios abolicionistas passam a ser sustentados em ambas as tribunas, a do legislativo e a da imprensa”.

A campanha abolicionista liderada por João Romeiro tornou-se vitoriosa em 25 de fevereiro de 1888, com a libertação dos escravos de Pinda.

De liberal a republicano

Durante o Brasil Império João Romeiro já via com simpatia a propaganda da forma de governo proposta pelos republicanos.

Amigo e admirador de republicanos como Campos Salles, sua adesão à República não foi surpresa.

Abolida a escravatura, a Tribuna do Norte passou a apoiar a República.

Dois dias após a proclamação da República, no dia 17 de novembro de 1889, “na qualidade de presidente da Câmara, João Romeiro convocou os vereadores e o povo em geral para uma reunião, aprovando, por unanimidade, uma mensagem de solidariedade aos novos dirigentes do Estado e do País”.

A partir daí foi um dos defensores dos ideais republicanos.

Juiz de Direito e jurisconsulto

João Romeiro foi o primeiro juiz de direito de São Bento do Sapucaí.

Sua nomeação ocorreu em 1890 e a ele coube instalar o Poder Judiciário naquela comarca.

Em São Bento procurou aproximar-se de todos os segmentos da sociedade e explicar o que representava um Tribunal de Justiça, principalmente a instituição do júri.

Costumava convocar os jurados para esclarecer-lhes sobre a importante função que cabia ao Conselho de Sentença.

Segundo Matheus Romeiro, a maior preocupação de seu avô era a de fazer a verdadeira justiça.

A simples possibilidade de uma injustiça, mesmo que involuntária e por mais leve que fosse, o atormentava.

Costumava afirmar que “se toda injustiça é indesculpável, torna-se esta ainda muito mais grave, por sua irregularidade, quando resulta da errônea compreensão das leis penais”.

Exerceu o cargo de juiz por poucos anos, com a reforma do Poder Judiciário do Estado, foi posto em disponibilidade.

Mais que um juiz de direito, João Romeiro foi jurisconsulto.

Seus pareceres e artigos em revistas especializadas o fizeram respeitado e conhecido entre os cultores da ciência social e jurídica.

Escritor e poeta

Como escritor João Romeiro deixou como obra principal e histórica “De D. João VI à Independência”.

Livro em que analisa os fatos ocorridos no Brasil desde a partida de D. João para Portugal até a proclamação da Independência.

Também escreveu a monografia “Campos do Jordão na História e na Legenda”.

E o Dicionário de Direito Penal.

O político, jurisconsulto, historiador e jornalista João Romeiro era também poeta.

Campanhas jornalísticas

Em 1899, iniciou campanha para instalar o serviço de água encanada em Pindamonhangaba.

A inauguração ocorreu em 27 de janeiro de 1900.

Também apoiou a construção da escola Dr. Alfredo Pujol e a instalação do Haras Paulista em 1912.

Atuou na construção da Estrada de Ferro Campos do Jordão, inaugurada em 1914.

Em sua última campanha, trabalhou pela criação da Escola de Farmácia e Odontologia de Pinda.

Pai de 14 filhos

João Romeiro ficou viúvo ainda moço e dedicou-se inteiramente aos filhos.

Sempre reunia a família na fazenda Mombaça, no dia de São João.

Nos últimos anos de vida, ajudava amigos, aconselhava e buscava soluções com equilíbrio e justiça.

História

Altair
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