Com a chegada do inverno, é comum que muitas pessoas relatem aumento das dores pelo corpo. Para quem convive com a fibromialgia, essa sensação costuma ser ainda mais intensa, afetando a qualidade do sono, o humor, a disposição e até mesmo a capacidade de realizar atividades simples do dia a dia.
Para quem convive com a fibromialgia, a chegada das frentes frias traz muito mais do que a necessidade de tirar os casacos do armário, traz um aumento expressivo no nível das dores. Longe de ser apenas uma “impressão” ou algo “psicossomático”, esse fenômeno é real, incômodo e amplamente respaldado pela ciência.
A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica, caracterizada pela sensibilização do sistema nervoso central, onde o cérebro e a medula interpretam estímulos sensoriais comuns como fossem mais dolorosos. Além da dor difusa, a doença pode provocar fadiga intensa, distúrbios do sono, rigidez muscular, alterações cognitivas e sintomas de ansiedade e depressão.
No inverno, essa percepção exacerbada colide com mecanismos de defesa naturais do nosso corpo.
Mas afinal, por que o frio piora os sintomas? Embora ainda não exista uma única explicação definitiva, diversos estudos científicos demonstram que as baixas temperaturas podem contribuir para o aumento da dor em pessoas com fibromialgia por diferentes mecanismos.
Em baixas temperaturas, nosso organismo prioriza manter os órgãos vitais aquecidos. Para isso, realiza a vasoconstrição (estreitamento dos vasos sanguíneos periféricos), diminuindo a irrigação de sangue e oxigênio para músculos e articulações. Músculos menos irrigados tornam-se tensos e rígidos, diminuindo a elasticidade dos tecidos.
Outro problema ocorre pela alteração do fluido que lubrifica as nossas articulações (líquido sinovial), que torna-se mais espesso e viscoso sob baixas temperaturas, dificultando a mobilidade, o que gera mais atrito e rigidez ao nos movermos.
A boa notícia é que existem tratamentos eficazes. Hoje, as principais diretrizes internacionais colocam o exercício físico como a intervenção mais importante para o tratamento da fibromialgia. Diferentemente do que muitos imaginam, o repouso prolongado tende a agravar os sintomas.
O sedentarismo temporário reduz ainda mais a circulação de sangue, criando um ciclo vicioso.
A chave para quebrar essa engrenagem está no movimento direcionado. A fisioterapia e a prática regular de atividades físicas são os pilares de prevenção e alívio da dor.
Na fisioterapia, o tratamento é individualizado e pode incluir exercícios terapêuticos, fortalecimento muscular, alongamentos, treinamento funcional, exercícios aeróbicos de baixa intensidade, técnicas de terapia manual, educação em dor e estratégias para melhorar a qualidade do movimento.
Programas de exercícios realizados de forma progressiva ajudam a reduzir a intensidade da dor, melhoram a capacidade funcional, aumentam a disposição física e contribuem para um sono mais reparador.
Atividades como caminhada, bicicleta ergométrica, Pilates, hidroterapia e treinamento resistido supervisionado apresentam excelentes resultados quando respeitam os limites de cada paciente.
A fibromialgia ainda não possui cura, mas possui tratamento. Com acompanhamento multiprofissional, fisioterapia baseada em evidências científicas e prática regular de exercícios físicos, é possível controlar os sintomas, reduzir significativamente as crises dolorosas e proporcionar mais qualidade de vida.









