Ao longo de sua existência o jornal Tribuna do Norte sempre se preocupou em manter a cidade informada dos acontecimentos locais.
Página de História de hoje traz alguns fatos curiosos ocorridos no início do século XX.
Regras no trânsito da Pinda de 1905

Recuando até a primeira década do século passado, vamos encontrar em uma publicação da Tribuna de 26/2/1905, intitulada “Condutores de Veículos”, assinada pelo então 1º fiscal do município, Benedito Rodolpho, uma série de proibições que deveriam ser observadas pelos condutores de veículos daquele começo dos anos 1900.
Iniciava dando ciência e fazendo público que somente os carros puxados a boi deveriam ser sempre precedidos “…ou guiados nas ruas travessas ou praças, por quem os dirija convenientemente deverão caminhar pelo centro das mesmas, sendo proibido o chiar dos mesmos”.
Alertava que nenhum condutor de veículos ou cocheiro poderia deixar o seu carro sem pessoa suficiente para prender os animais. Aqueles que fossem encontrados em tais condições seriam conduzidos ao depósito municipal.
Estava proibido ao condutor de carro, qualquer que fosse a sua denominação: tê-los atravessados nas ruas e travessas; conduzi-los por sobre os passeios; subir nos varais dos mesmos; maltratar exageradamente aos animais.
Aos infratores seriam aplicadas as multas cominadas no Código de Posturas da época.
Novo estabelecimento comercial

Já iniciando a terceira década dos anos 1900, na edição TN de 13/3/1921, encontramos nota referente ao surgimento de uma casa comercial que, além de mencionar que um dos sócios proprietários tinha o sobrenome Goffi, revelava o local da instalação (em frente à praça do Cruzeiro), o que nos leva à dedução que se tratava de um estabelecimento comercial antecessor à histórica Casa Cruzeiro (existente até hoje, embora em outro endereço).
Dizia o jornal naquela edição:
“Os senhores Manoel Cembranelli Filho e Armando Goffi, constituíram-se em sociedade e acabam de instalar na rua dos Andradas, antiga José Bonifácio, em frente ao cruzeiro. Um empório comercial sob a razão social Cembranelli & Goffi”.
Comentando sobre a boa localização do prédio, o redator da Tribuna também elogiava:
“…os senhores Cembranelli & Goffi sortiram o estabelecimento de secos e molhados e fazendas, todos de ótimas qualidades e se prontificaram a vender barato, bem servir a freguesia e fazer entrega a domicílio”.
Revelando que o lema da casa era “ganhar pouco para ganhar muito”, a nota ainda previa:
“montada como está, a capricho, estamos certos que muito virá a concorrer não só com o sistema moderno de negociar, para o preenchimento de uma lacuna qual seja a da necessidade de estabelecimento de tal ordem”.
Concluindo, parabenizam os empreendedores daquele longínquo 1921:
“Parabéns, pois, aos senhores Cembranelli & Goffi e votos de muitas felicidades”.
Rua José Bonifácio e rua dos Andradas foram antigas denominações da rua Bicudo Leme.
Aranha tomba e um de seus passageiros morre

Com o título “Desastre em aranha”, o jornal Tribuna do Norte que foi às ruas no dia 10/1/1924 noticiou um acidente com vítima fatal ocorrido na vizinha cidade de Tremembé com uma ‘aranha’ na qual passeavam quatro pessoas.
Embora sua denominação nos faça lembrar os animais pertencentes ao grupo dos artrópodes e à classe dos aracnídeos, aranha aqui se referia a um veículo leve de tração animal, muito utilizado naquele tempo. Era uma espécie de charrete feita com madeira leve e rodas finas, projetada para ser rápida.
Contava a Tribuna:
“No dia 20 do corrente, às 17 horas, em Tremembé, em uma aranha foram vítimas de um desastre, quando por ali passeavam os senhores José Rodolpho Machado de Mello, negociante naquela localidade, Alcindo Homem de Mello e dois menores”.
O cavalo teria se espantado e saído em galope desenfreado, não sendo possível ao condutor, senhor José Rodolpho, refreá-lo. Diante do acontecido, conforme explicava o jornal, o senhor Alcindo Homem de Mello teria saltado do veículo. Em desabalada carreira, ao dobrar uma esquina, a aranha teria tombado, jogando o senhor José Rodolpho violentamente contra um muro e provocando-lhe ferimentos gravíssimos, ocasionando-lhe a morte duas horas depois. Felizmente, os menores só tiveram pequenos ferimentos e escoriações.
Prosseguindo a triste nota, o jornal revela que a vítima do desastre era de Pindamonhangaba, “filho do tenente Joaquim Antonio Ramos de Mello e de dona Maria Amélia Machado de Mello, ambos já falecidos; contava 50 anos de idade e era casado com a exma. senhora dona Anna Claudina Pires de Mello, cujo consórcio deixa 7 filhos, sendo duas menores”, e complementa: “Era irmão da exma. sra. Dona Maria Izaltina de Mello, casada com o senhor Francisco Monteiro do Amaral”.
Lamentando a triste ocorrência, a Tribuna do Norte enviou pêsames à família de Homem de Mello, informando que o sepultamento se realizaria no dia seguinte às 17 horas, com grande acompanhamento. O sepultamento teria sido no Cemitério Municipal de Tremembé.









