Vai me dizer que você nunca terminou uma apresentação achando que “falou mal” porque a voz tremia, as mãos suavam e o frio na barriga não passava de jeito nenhum?
Provavelmente já, porque é muito comum as pessoas fazerem essa associação: quando se sentem desconfortáveis, acreditam que se comunicam mal. Mas essas são duas coisas bem diferentes.
O desconforto é uma reação involuntária do corpo. É a perna que fica meio bamba, a garganta que aperta, a boca que seca. E ele pode aparecer quando acontece algo novo ou muito importante para a gente.
Falar mal já é outra história. Tem a ver com ideias desordenadas, falta de conceitos, argumentos frágeis, problemas de dicção, uma postura corporal que contradiz o que se diz. São questões de conteúdo e de forma, que podem ser percebidas e orientadas.
É verdade que, se você não sabe como manejar o desconforto, ele pode atrapalhar sua comunicação, mas atrapalhar não é o mesmo que invalidar. Muita gente com ideias claras e bem fundamentadas se desqualifica por causa do que sente. E o pior… tem gente que fica esperando o desconforto passar para, aí sim, poder “falar bem”.
Para esses, tenho uma má notícia. Nem sempre o desconforto é uma fase que a gente supera. Às vezes, a gente topa com ele ao longo da vida, principalmente se passa a acreditar que chegou ao ponto do conforto.
É bem nessas horas que algo novo acontece: um cargo diferente, um público desconhecido, uma oportunidade, e lá vem ele, fazendo as pernas tremer, a barriga gelar, a voz embargar.
Quem se comunica bem não é quem deixa de se sentir desconfortável. É quem aprende a perceber as sensações, reconhecê-las e manejá-las para seguir em frente, sem tratá-las como um veredito sobre si.









