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E aí, você sabe dizer o que está sentindo?

Raiva, medo, tristeza, ansiedade, alegria, frustração. Dar nome ao que sentimos nem sempre é tão fácil quanto parece. Pensando nisso, a representante e mediadora de comunicação não violenta, Angelita Claudino, do Projeto ‘Fala Mulher’, do jornal Tribuna do Norte, realizou uma dinâmica especial com os alunos do Colégio Estadual Ryoiti Yassuda, dentro das ações voltadas ao Setembro Amarelo.

Chamada “Sentimentos e Emoções”, a atividade propõe aos estudantes um exercício de reconhecimento das próprias emoções e necessidades, além de uma reflexão sobre como cada pessoa escolhe reagir diante de conflitos. O trabalho tem como base os princípios da Comunicação Não Violenta (CNV), desenvolvida por Marshall Rosenberg.

“É aprender a nomear as emoções, identificar o que eu sinto e, a partir do que eu sinto, o que eu faço, qual é a minha ação”, explica Angelita.

A dinâmica começa com uma pergunta simples, mas que pode não ser tão fácil de responder: “Como estou chegando? Como estou agora?”. Com o auxílio do jogo Grok, que trabalha diferentes sentimentos e necessidades, os estudantes são estimulados a encontrar palavras para identificar como estão naquele momento. Em seguida, Angelita apresenta a pirâmide de Maslow e trabalha a relação entre necessidades e emoções. A ideia é refletir sobre o que sentimos a partir das nossas necessidades e como gatilhos e conflitos internos podem influenciar nossas reações.

Do conflito para um novo olhar

Outra etapa é o Canva das Emoções, no qual os estudantes trabalham quatro bases da Comunicação Não Violenta: observação, sentimento, necessidade e pedido. A partir de uma situação de conflito escolhida por cada um, a proposta é analisar o que aconteceu, quais emoções surgiram, como aquela situação influenciou suas ações e se ela trouxe alguma lembrança ou conexão com outras experiências. Depois, o exercício convida os jovens a pensar em um novo olhar sobre o conflito: o que foi possível aprender com aquela situação e o que fazer com esse aprendizado daqui para frente.

Para a professora de Artes, Kelly Cristina Ferreira da Costa, abordar a comunicação não violenta dentro da escola pode trazer aprendizados que ultrapassam os muros do colégio. “Eu acredito que o projeto vem abrir horizontes para os nossos alunos, principalmente pela temática que a Angelita está propondo, que é a questão da comunicação não violenta. A gente vive em um mundo que traz tantos conflitos, então eles aprenderem a trazer isso para um contexto tanto escolar como fora da escola é importante”, afirma.

Segundo a professora, a experiência também pode contribuir para a vida dos estudantes fora do ambiente escolar. “Eu acho que vai ser de grande importância para a vida deles fora daqui também.”

A atividade faz parte do Projeto ‘Fala Mulher’ e, neste período, ganha uma abordagem relacionada ao Setembro Amarelo. Mais do que falar sobre emoções, a proposta é incentivar os jovens a identificá-las e refletir sobre suas próprias escolhas diante delas.

“Se eu escolho reagir, se eu escolho te agredir verbalmente…”, exemplifica Angelita ao explicar que reconhecer aquilo que se sente pode ajudar a pensar sobre a reação que vem em seguida.

No final da dinâmica, a pergunta volta aos próprios estudantes: como estou saindo daqui? A ideia é que cada um reflita sobre a experiência e sobre aquilo que leva consigo depois de olhar um pouco mais para os próprios sentimentos. Afinal, entender o que sentimos pode ser o começo de uma escolha diferente sobre o que fazer com esse sentimento.

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