As chamadas “canetas emagrecedoras” mudaram a forma como muitas pessoas encaram o tratamento da obesidade e do excesso de peso. Medicamentos que atuam em mecanismos relacionados à saciedade e ao controle do apetite podem ser importantes ferramentas terapêuticas quando utilizados com indicação e acompanhamento profissional.
Medicamentos como Ozempic e Mounjaro transformaram o tratamento do excesso de peso. No entanto, o verdadeiro desafio da saúde e do bem-estar não está apenas no uso das medicações, mas no que acontece quando o tratamento chega ao fim. Mas existe uma pergunta que merece tanta atenção quanto o início do tratamento: o que acontece depois que o medicamento é suspenso?
Um dos maiores erros é enxergar o medicamento como uma solução isolada. O medicamento funciona como uma ferramenta temporária de apoio, mas é a consistência nos hábitos diários como ter o sono regulado, alimentação equilibrada e fazer exercícios que definem a sua saúde a longo prazo.
Durante o uso desses medicamentos, ocorre uma redução drástica do apetite. Se não houver uma reeducação alimentar simultânea, o corpo tende a recuperar o peso rapidamente assim que a medicação é suspensa, pois o apetite volta aos níveis anteriores enquanto o metabolismo pode ter ficado mais lento.
Parar a medicação não significa que o organismo deixou de enfrentar os mecanismos que contribuíram para o ganho de peso. A interrupção do uso sem o devido acompanhamento costuma levar ao chamado “efeito sanfona”. Para garantir que os resultados conquistados se traduzam em saúde duradoura, a atenção deve se voltar para a rotina diária.
E o que fazer depois? A transição deve ser individualizada, não existe uma fórmula única para todos. O primeiro passo é conversar com o médico responsável antes de interromper ou modificar o tratamento. A decisão sobre manutenção, redução ou suspensão do medicamento, depende do quadro clínico e dos objetivos de cada pessoa.
Paralelamente, é importante estabelecer uma rotina que possa ser mantida a longo prazo. A perda rápida de peso frequentemente envolve perda de massa muscular. Nesse contexto, o exercício físico merece destaque, pois não se trata apenas de queimar calorias. O treinamento de força, por exemplo, pode ajudar na preservação e no desenvolvimento da massa muscular durante o processo de emagrecimento. A prática regular de musculação ou exercícios que forneçam resistência é indispensável para manter o metabolismo ativo. Já atividades aeróbicas contribuem para a saúde cardiovascular, condicionamento físico e gasto energético.
Um ajuste na alimentação também é importante. A alimentação deve ser organizada de maneira realista, sem dietas extremamente restritivas. Priorizar alimentos ricos em fibras e proteínas em cada refeição é bom, pois eles aumentam a saciedade de forma natural e auxiliam no bom funcionamento intestinal.
Na fisioterapia, por exemplo, podemos contribuir principalmente quando o objetivo deixa de ser apenas emagrecer e passa a ser recuperar ou ampliar a capacidade física. Avaliar movimento, força, equilíbrio, mobilidade e limitações funcionais permite construir um programa de exercícios mais seguro e adequado à realidade de cada pessoa.
Emagrecer é apenas uma etapa. O grande desafio é manter os resultados e, principalmente, melhorar a saúde. Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja “qual caneta devo usar?”, mas sim quais mudanças preciso fazer na minha vida para continuar saudável quando a caneta não estiver mais presente?









