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A HISTÓRIA QUE POUCOS SABEM

Tem coisa que a gente atravessa todos os dias sem perceber.

A praça, o banco de concreto, a sombra de uma árvore, o caminho apressado de quem vai resolver a vida. E, no meio disso tudo, um nome: Dr. Francisco Marcondes Romeiro (1840–1911).

Pouca gente para.

Pouca gente pergunta.

Mas a cidade lembra — mesmo quando a gente esquece.

A antiga fotografia — do acervo da família Rezende, já publicada pelo perfil @pindafetiva e no best-seller local Pindamonhangaba no Século XX — nos mostra mais do que uma cena: revela um tempo.

E ali, quase tímida, a fachada do solar onde ele viveu. Era dali que saía, muitas vezes sem hora para voltar.

Porque antes de ser prefeito, ele era médico.

E não daqueles que esperam o paciente. Era dos que vão ao encontro. De dia, de noite, de madrugada. Estrada de terra, lama, silêncio da zona rural — nada disso era obstáculo. Onde havia alguém precisando, lá estava ele.

Foi o primeiro pindamonhangabense a se formar em medicina, em 1866.

Mas o título nunca falou mais alto que a vocação.

Talvez por isso tenha entrado na política.

Não por ambição, mas por consequência.

Como vereador, ao lado do irmão, o Dr. João Romeiro, e do Dr. Gregório Costa, ajudou a escrever uma página silenciosa — e grandiosa — da história: a libertação dos escravos de Pindamonhangaba antes mesmo da Lei Áurea.

Depois veio a prefeitura.

E com ela, um daqueles momentos que se contam quase como lenda.

Ele prometeu levar água encanada à cidade em um ano.

Promessa ousada. Daquelas que fazem até os amigos sorrirem com desconfiança.

Mas, no dia 4 de fevereiro de 1900, a água desceu da Serra da Mantiqueira. Vieram 14 quilômetros de encanamento, vencendo distância, dificuldade e descrédito — para provar que, às vezes, o impossível só precisa de alguém disposto a enfrentá-lo.

Pindamonhangaba passou a beber do futuro.

Vieram outras marcas.

A cascata da Praça Monsenhor Marcondes, que até hoje murmura sua história em forma de água.

O Grupo Escolar “Dr. Alfredo Pujol”, inaugurado em 1902 — e que ocupava um quarteirão inteiro —, como quem entende que educar também é construir.

Romeiro pensava à frente do seu tempo.

Mas nunca deixou de estar perto das pessoas.

Foi deputado federal. Foi reeleito. Poderia ter se afastado da vida simples da cidade.

Mas não se afastou.

Talvez por isso a homenagem tenha vindo do jeito mais simbólico possível.

A Praça Dr. Francisco Marcondes Romeiro — antigo Largo do Rosário, hoje Largo do Cruzeiro — não é só um espaço urbano. É um ponto de encontro entre o que fomos e o que ainda somos.

Ali, todos os dias, a cidade passa por ele.

Mesmo sem saber.

Foi o melhor prefeito de Pindamonhangaba?

Pode ser.

Mas essa talvez nem seja a pergunta mais importante.

A pergunta certa é outra:

Quantos conseguiram, ao mesmo tempo, cuidar das pessoas, transformar a cidade e deixar um legado que ainda respira mais de um século depois?

Poucos.

Muito poucos.

E é por isso que alguns nomes não precisam ser lembrados.

Eles simplesmente permanecem.

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12:00, pm, maio 25, 2026
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