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A dança e teatro da Mônica Alvarenga

A motivação da Mônica para se iniciar no teatro e na dança foi a mesma da maioria dos jovens: combater a timidez.

Nesse tempo, ia sempre com a mãe para a casa da avó, no Crispim. Ali era muito feliz brincando de pé no chão e convivia com uma família de artistas. Se extasiava vendo a avó escrever poemas; tinha um tio, Antônio, que tocava violão. As pessoas pediam: “Antônio, toca!” e ele tocava. Era conhecido pelo apelido de “Toca”; o tio Ademar fazia xilogravuras e contava histórias fantásticas como se fossem verdadeiras.

Uma história dele: _ “Eu fui pra Caxambu e, pra voltar, como não tinha dinheiro pra passagem, peguei no rabo dos paturis e eles me trouxeram pra casa.”

O outro, tio Chico, entre as diversas atividades artísticas, era artista plástico e tinha uma casa antiga perto do Bosque da Princesa. Ele dizia que, quando morresse, a Mônica deveria fazer da casa um Centro Cultural, montar uma exposição com os quadros dele e ser a curadora. Ele morreu, perdeu a casa, seus quadros que estavam em seu apartamento no Rio de Janeiro sumiram todos e ela só ficou com dois livros que ele tinha dado à ela.

Além da influência da arte na família, a Mônica era muito movida pela cultura popular.

Tinha doze anos quando manifestou o seu desejo de ser atriz.

Nesse período era tão tímida que nem queria sair de casa.

Um dia a mãe lhe disse: _ “Tem uma Oficina de Teatro no DEC de Pinda, vou matricular você.”

Apesar de resistir pelo medo dos novos contatos, foi matriculada no teatro e no jazz.

Em 1996 o curso chegou ao fim. Parada ela entrou numa profunda depressão. A mãe, sensibilizada, foi ao Quintal das Artes, mas a mensalidade era muito alta e ela não podia pagar.

Soube do teste no “Cadê Otelo?” para compor o elenco do Apocalypse”.

Era 1997. Passou no teste e começou a ensaiar no Galpão da Cia. Um dia o Marcelo Denny a informou que ela não poderia continuar por ser menor de idade.

Ficou muito triste, mas tinha conhecido lá o Adiba e a Tati que a convidaram para integrar o Controvérsias, um grupo de adolescentes, amigos, que ensaiavam aos domingos. Era 1998.

Já no grupo, começou a fazer trabalhos solo de animação de festas. Surgiram muitos serviços, ela estava ganhando o seu dinheiro e acabou tendo que sair do Controvérsias no final de 2002.

Ela percebeu que em Campos do Jordão não tinha dança na cidade e ela, sem formação técnica, ofereceu trabalho em troca de pagamento do transporte e alimentação, sem outros custos.

Toparam.

Um mês depois estava dando aulas.

Queria fazer uma faculdade e guardava tudo o que ganhava para pagamento da mensalidade.

Estudou e passou no vestibular.

_“No primeiro dia de aula na FASC o professor Paulo Tarcízio perguntou por que estávamos ali. De imediato, respondi que eu queria montar a minha própria escola.”

Seis meses depois, dispensada em Campos do Jordão por não ser concursada, foi dar aulas de dança, de teatro, em escolinhas.

Afinal a sua própria escola!

Ela começou no Centro Comunitário do Santo Luzia quando uma colega lhe ofereceu o lugar.

Montou a nova escola.

Nova metodologia, novo nome: Ateliê Cênico de Danças.

Ficou lá por 5 anos (de 2007 até 2012).

Teve que sair e estava procurando um espaço.

Queria o espaço sonhado: O Quintal das Artes. Estava desocupado.

Em um mês já fazia a limpeza e se instalava ali.

Ficaram por exatos 13 anos (de janeiro/2013 à fevereiro/2026).

E o Ateliê completou 19 anos de vida.

Bem, pessoal, como a história é longa e interessante, não vamos mutilá-la, vamos completá-la na próxima edição.

Até lá!

O Teatrando

Alberto Marcondes Santiago
Alberto Marcondes Santiago
Natural de Pindamonhangaba, poeta, contista, letrista, ator, diretor, dramaturgo. Membro titular e Ex-Presidente da Academia Pindamonhangabense de Letras; fundador e Ex-Presidente da Associação Cultural Cootepi (atual Teatro Galpão); Ex-Presidente do Conselho Municipal de Cultura de Pindamonhangaba; fundador e Ex-presidente da Cia. Teatral “Cadê Otelo?” (Ganhadora do Mapa Cultural Paulista, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e do Festival Brasileiro de Teatro, da Funarte e Confenata). Homenageado pelo Conselho Municipal de Cultura de Pindamonhangaba pela atuação nas atividades culturais do município; Ganhador da Medalha do Mérito "Athayde Marcondes" de 2019 - Honraria concedida pela Câmara de Vereadores da cidade à uma pessoa, empresa ou instituição, que tenha contribuído destacadamente para a história e a cultura de Pindamonhangaba. Idealizador e realizador do FESTIPOEMA, que já realizou a sua 14ª Edição; participou da criação e realização do I Fórum Municipal de Cultura (“Um Novo Olhar Sobre a Cultura em Pinda”) e do Encontro de Artes Cênicas de Pindamonhangaba; foi Vice-presidente da Comissão Organizadora do I Conferência Municipal de Cultura de Pindamonhangaba e delegado representante de Pindamonhangaba na Conferência Estadual de Cultura.
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