Vamos lá continuar a empolgante história da Mônica Alvarenga.
Ela, inspirada pela Cia. de Dança Shivadélica, criada pelo Alex Martins, queria muito produzir um trabalho mais intenso na dança. Em 2008 convidou algumas das alunas mais antigas e preparadas do Ateliê Cênico de Danças e criou o “Clã da Dança”, uma companhia de dança contemporânea.
Começaram a trabalhar.
Em 2018, quando sentiu que as coisas estavam acontecendo conforme o almejado, todas as bailarinas tiraram o DRT e profissionalizaram o grupo.
O objetivo da profissionalização, deixava claro, não seria mais só um encontro de finais de semana para se divertir com o prazer da dança. Todas aprenderam a criar e escrever projetos, a intensificar o trabalho de criação e aperfeiçoamento artístico. Empenharam-se, então, nas apresentações.
“Nos grupos onde trabalhei eu nunca tive, por várias razões, oportunidade que me fizesse feliz. Uma amiga, uma vez, me disse: Mônica, não espere oportunidade, faça você a sua. Então eu fui buscar essas circunstâncias, fui estudar e construir as minhas oportunidades.”
Fez os cursos de Pós-graduação em dança em São Paulo; formação no Brincante, com o Antônio Nóbrega; formação em Laban, com Denise Telles; formação totalmente bolsista com Ivaldo Bertazzo; formação em Curso de Dublagem em São Paulo.
“Mas, no fundo, eu sou fruto das oficinas culturais de Pinda.”
Na época da pandemia realizaram apresentações virtuais para o México, Espanha, Portugal, Chile e Peru.
Isso a impulsionou a produzir vídeo dança, vídeo performance, curta e longa, tudo de maneira experimental.
“Eu não sou cineasta, não tenho formação e recebi críticas. Mas eu quero fazer! Lógico que me empenho pra ser um bom trabalho! Eu vou pra muitos lugares! Agora eu corro atrás, não fico só na dependência de editais, eu junto e guardo dinheiro…”
Ela tinha o Ateliê, que é o seu desejo de dar aula; o Clã da Dança, que é o seu desejo de ser diretora, criadora; e tinha um, mais que desejo, mas uma necessidade de expor a sua alma de artista que ela não sabia ainda como dar vida.
E tudo começou a acontecer quando ela estava finalizando o curso de Laban em São Paulo. Na realização do TCC de conclusão do curso, tinham a opção de redigir um trabalho ou criar um espetáculo.
Por gostar e ter uma pesquisa elaborada sobre o Bumba Meu Boi, resolveu fazer um trabalho sobre a trajetória do Boi na humanidade, num solo usando a linguagem labaniana.
Resultou daí o espetáculo “Urrou”. O resultado foi tão satisfatório que ela começou a apresentá-lo em muitos festivais.
Foram para Manaus, Icó no Ceará, Santa Rosa no RGS, várias cidades em Minas, na Argentina, na Colômbia.
Estava, então, criada a Cia Mônica Alvarenga, que era a realização do seu desejo de ser artista.
Percebeu, então, a necessidade de definir com clareza o que era o trabalho de cada núcleo de atividade: o Ateliê Cênico de Danças é a escola para ensinar a dança; a Cia. O Clã da Dança, é um coletivo profissional de dança contemporânea; a Cia. Mônica Alvarenga são os trabalhos solos da Mônica Alvarenga.
Ao Ateliê Cênico os alunos pagam mensalidade; o Clã da Dança e Cia. Mônica Alvarenga, o dinheiro vem do produto das produções e do seu próprio bolso.
Cada um é um Ponto de Cultura.
Em 2011 criou o espetáculo “Gisele” que foi apresentado no Bosque como “Núcleo Cênico de Teatro”, como teatro de rua. Hoje estão muito focadas na palhaçaria feminina, na contação de histórias e atrelados à contratação via prefeitura.
Estava criado ali mais um núcleo de fazer arte cênica.
Esse é, enfim, um rascunho da ânsia incontrolável da Mônica Alvarenga em dar vida aos seus profundos sonhos na arte.









