
A cura nem sempre acontece em consultórios.
Às vezes, ela mora nas estantes.
Entre páginas sublinhadas e lombadas gastas.
A bibliografia cura quando oferece nome ao que dói.
Quando organiza o caos interno em parágrafos possíveis.
Ler é um gesto silencioso de sobrevivência.
Um diálogo íntimo com quem já atravessou abismos semelhantes.
Há livros que não salvam o dia.
Mas salvam o leitor.
A bibliografia constrói pontes entre experiência e sentido.
Ela não apaga a dor.
Mas ensina a habitá-la com mais consciência.
Cada referência é um fio de cuidado.
Cada citação, uma forma de amparo.
A cura pela bibliografia reconhece o saber como afeto.
E o conhecimento como prática de escuta.
Ler é permitir que outras vozes reorganizem a nossa.
É aceitar ajuda sem precisar pedir.
Quando o mundo adoece, os livros insistem.
E, insistindo, mantêm-nos vivos.








