Educação é uma das áreas mais discutidas no nosso país. Talvez por ainda não ter atingido o nível necessário de qualidade, eivada por problemas que vão desde a desvalorização do professor a inconsistências de programas de ensino; talvez por ser uma temática apaixonante, fortemente relacionada à história de vida das pessoas; ou, quem sabe, porque, devido a sua natureza crítica e pulsante, esteja irremediavelmente sujeita às mudanças dos tempos e dos sujeitos, fadada, portanto, a fomentar contínuos debates.
Em época de eleição, ah, vira um doce saboroso na boca dos candidatos. Subitamente, eles resolvem salientar que ela é prioridade, apresentam soluções para todos os problemas e se mostram realmente dispostos a mitigar cada entrave educacional do nosso imenso Brasil. Porém, como sabemos, entra ano e sai ano, nossa educação segue na mesma situação: claudicando entre meia dúzia de projetos promissores e um punhado de ideias infrutíferas, o que a faz alcançar marcas nunca satisfatórias.
Agora, o que pouca gente sabe é que, a despeito de tudo isso, nossos professores, diariamente entrincheirados em suas salas de aula, têm realizado façanhas admiráveis nessa constante batalha pela formação de nossas crianças. Sabe quando Edgar Morin fala dos arquipélagos de certeza espalhados por mares incertos? Cada sala de aula é um rochedo que se ergue contra as ondas desafiadoras da atualidade! E, se imaginarmos todos esses rochedos conectados, surge diante de nossos olhos (incrédulos) um vasto e venturoso continente de possibilidades.
Avancemos, pois, continente adentro. Evoco para isso um aforismo do romance “Grande Sertão: Veredas”: “[…] a colheita é comum, mas o capinar é sozinho”. Em educação, os números podem não evidenciar que houve muitos frutos colhidos (ou: a colheita descrita pelos medidores oficiais pode parecer insuficiente), mas a lida, quando analisada de perto, revela outros cultivos (até auspiciosos). Note: faça chuva ou faça sol, nossas escolas estão abertas todos os dias, persistentes no sonho e no trabalho, independentemente de todos os contratempos; dentro delas, professores operam milagres neste mundo inóspito de tantas telas e poucos livros, tanto achismo e minguadas fundamentações, tanta violência e escassa compaixão.
De onde vem esse entusiasmo?
Na sexta edição do EPAVA (Encontro de Professores e Alunos do Vale do Paraíba), realizada na última semana pela Unitau (Universidade de Taubaté), professores e alunos compartilharam práticas pedagógicas exitosas e reflexões inspiradoras sobre o agir docente em tempos tão hostis. O que se viu foram painéis interativos, rodas de leitura, jogos de cartas colecionáveis, aplicativos de testes, graphic novels, clássicos revistos com lentes contemporâneas, investigação de fotos históricas, montagens teatrais, enfim, os inúmeros relatos de experiência provaram que uma enorme diversidade de atividades e recursos povoam cotidianamente nossas salas de aula, já que o trabalho educacional exige criatividade, empenho, constância, sentido, eficácia… e amorosidade.
O evento mostrou a forma intensa como cada “ilha educacional” pulsa, todas irmanadas pelas mesmas necessidades e pelos mesmos ideais. Compreendamos: a educação brasileira, à qual muitos se referem como problemática e precária (porque, de fato, contém incontáveis reveses), segue cumprindo seu papel a cada amanhecer. Todo professor sabe que, se hoje foi difícil, “amanhã tem mais” — certeza dotada de boa dose de ironia que até pode desanimar alguns, mas, em geral, serve como encorajamento. Como explicar isso? Com uma imagem extraída de “O Apanhador no Campo de Centeio”… Crianças correndo perto de um abismo, que perigo! Mas existe alguém que as impede de cair, que as apanha, salvando-as da morte. Sim, a educação possui muitos, muitos braços! E eles são milagrosos!









