Era uma tarde de outono, fria e ensolarada. Fui convidada para a inauguração de um espaço expositivo de um ateliê de arte. A coletiva dos trabalhos lá expostos, eram pautados com obras da arte contemporânea.
O espaço fica dentro de uma “casinha” localizada em uma Vila em estilo fiorentino, edificada a quase cem anos, tombada pelo patrimônio Histórico da cidade de São Paulo, o que agregou mais significado a exposição.
Do lado de fora da exposição, a cidade seguia seu ritmo habitual, pessoas olhando para o celular, carros apressados, cachorro latindo, crianças correndo.
Dentro, porém o mundo parecia funcionar em outra velocidade. O ambiente era claro, sereno e acolhedor.
Logo na entrada fui recepcionada por uma das artistas, e me deparei com uma pintura, ou seria uma escultura, enorme feito com barro e papel, impactante e ao mesmo tempo suave.
Na sala principal, observei o conjunto das obras ali expostas e pude sentir a energia das artistas retratadas em suas obras.
A expressão de arte de um artista, reside no sentimento que ele guarda no consciente ou subconsciente, que é retratado seja na tela, no papel ou na escultura.
Em outra sala, me deparei com esculturas em cerâmica, outras em ferro e outras em madeira. Representavam momentos de vida humana na perspectiva dos artistas.
Cada obra ali exposta me chamava a atenção e me levava a imaginar o que o artista procurou passar naquele momento.
Umas eram escuras e pesadas, outras supercoloridas e leves, outras emaranhadas e complexas.
Também que pude observar, as pessoas diante das obras.
Um senhor observava atentamente um desenho a nanquim, como se procurasse alguma lembrança perdida. Duas senhoras discutiam se uma escultura era a “Boca de la Veritá” ou a “Medusa”. Um jovem fotografava detalhes de uma tela.
Cada visitante carregava sua própria exposição particular.
Ao final do percurso, pela galeria, conclui que uma exposição de arte não é somente uma um conjunto de obras reunidas em um só lugar. É um encontro silencioso e único entre diferentes formas de enxergar o mundo.
O artista oferece sua visão; o visitante responde com suas memórias, emoções.
Quando sai da “casinha”, a cidade continuava exatamente como antes, carros ainda passavam apressados, assim como as pessoas.
Mas alguma coisa havia mudado em mim. Talvez porque a arte tenha essa capacidade discreta: não transforma o mundo em um piscar de olhos, mas transforma, ainda que por instantes a maneira de como observamos o mundo a nossa volta.
E às vezes isso já é o suficiente para fazer de uma tarde fria e ensolarada de outono se tornar memorável.








