Comecei a sentir um cheiro de milho cozido no ar, som da sanfona e gosto de infância.
Não tinha dúvida, Junho chegou, com suas bandeirinhas coloridas, camisas quadriculadas, vestidos de chita e chapéu de palha. Santo Antônio, São João e São Pedro, os santos padroeiros das festas juninas.
O mês ganha um clima festivo que se espalha por todas as cidades. As festas juninas têm um talento próprio: transformam qualquer espaço em um grande salão de festas.
A alegria de suas cores, músicas e sabores se espalha e deixam tudo mais colorido e festivo e a gente entra no clima.
Acredito que a alegria dessas festas esteja justamente no encontro festivo. Em tempos atuais, onde as pessoas vivem sempre correndo, olhando para as telas de celulares, o “Arraiá” convida para algo simples: ficar junto.
Crianças correm entre as barracas de milho verde, quentão, churrasquinho, pipoca, doces etc.; amigos se reencontram, famílias festejam juntas e até os pets se encontram, é tudo alegria.
Há também aquela alegria que nasce da imperfeição. Na dança da quadrilha, onde ninguém precisa ser um dançarino profissional. O encanto está nos passos ensaiados na semana passada, mas feitos com carinho e alegria.
Ali por algumas horas, ninguém parece preocupado em acertar tudo. O importante é participar.
Para mim as festas juninas ensinam que a alegria não precisa ser sofisticada. Ela é encontrada na espiga de milho cozida, na brincadeira de pescaria, na bandeirinha balançando ao vento, na dança descontraída que acompanha a música daquela banda que veio alegrar a festa.
São as pequenas coisas que reunidas, criam algo maior: um sentimento de pertencimento.
E quando a última música termina, e as pessoas começam a ir embora, fica uma sensação curiosa, parece que a festa levou embora um pouco do frio da estação e deixou, em seu lugar, um calor difícil de explicar.
Talvez seja essa a verdadeira fogueira das festas juninas: aquela que continua acesa dentro de nós muito tempo depois de junho acabar.








