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Jornal Tribuna do Norte

Vale a pena ler de novo!

Na última coluna do ano, uma retrospectiva das ideias publicadas neste espaço no qual tenho a felicidade de encontrar o olhar de cada leitor que, gentilmente, partilha comigo alguns minutos do seu dia.

Retomei todos os textos e fui recortando frases e inserindo conectivos para compor um mosaico de nossas conversas.

Ah, vale a pena ler de novo! Vamos lá?

Para começar, recordo como é lindo que a palavra designada para a ação dos educadores seja docência. O vocábulo tem sua origem no verbo latino docere, que significa ensinar – simples assim.

Mas, numa fruição bem mais poética do que etimológica, a palavra docente une o adjetivo doce ao verbo sentir. Não é maravilhoso?

Sentir, aliás, é mais que necessário, afinal, o dia a dia de uma escola, lugar criado para a clara finalidade do cultivo e da transmissão do saber, envolve uma série de tensões a serem administradas dentro e fora da sala de aula, desafios que afetam diretamente o ensinar e o aprender.

Sem dúvida, o aprendizado é lição que não acaba quando toca o sinal para o fim das aulas da manhã, da tarde ou da noite — ele prossegue todos os dias e em ambientes vários.

A matéria que compõe o tecido da Educação é, portanto, viva, pulsante, controversa, surpreendente e, acreditem, encantadora — daí a paixão que move o educador.

Lembremo-nos: educar é construir pontes. Nesse sentido, a ação pedagógica não pode deixar de incluir a leitura dos olhares.

Olhemos para nossos alunos! Decifremos o que seus olhos estão dizendo: curiosidade, dúvida, ansiedade, angústia, surpresa, encantamento, impaciência, indiferença, alegria, incompreensão, desprezo, sofrimento, indignação, medo, carinho, compaixão, cansaço, saudade, dor… Amor.

Com tantas possibilidades a nosso alcance, não podemos permitir que as telas prejudiquem a oportunidade da presença, privando-nos de percepções e sensações valiosas para a assimilação e a consequente fruição dos eventos e das relações.

Educação é o amor conectando a vida da gente!

A propósito, a escola deve ser um palco consagrado à vida — para entendermos o outro e a nós mesmos, conscientes de nossa presença no mundo.

Toda escola precisa ter essa sensi-bi-li-da-de (muito mais do que a sisudez de portas e janelas fechadas — e jamais o perigo de… mentes fechadas).

Diante de tudo isso, sabe o que mais me anima a ser professor? O que me faz acordar sempre renovado, ciente de que, apesar das dificuldades, tudo pode ser melhor?

Eis a resposta: é a certeza de que na escola eu tenho os… meus alunos!

São eles nossa principal fonte de energia, a melhor explicação para nosso entusiasmo: emanam tanta vida, tanta esperança, tanta força!

São promessas de tanta coisa boa, de um mundo mais leve e bonito, inclusive.

Ah, o conhecimento, meus queridos leitores, é um tesouro a ser encontrado — e compartilhado.

Ainda bem que existem e sempre existirão escolas para aprendermos tantas lições!

Muito obrigado pela “luz dos olhos seus”! Tudo de lindo para vocês!

Por falar em olhos, já abriu um livro hoje?

Para escrever bem: na vida e no Enem

Ricardo Estevão
Ricardo Estevão
Ricardo Estevão é escritor, jornalista, professor de redação e membro da Academia Pindamonhangabense de Letras
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