Outro dia me senti viajando no mundo dos queijos quando fui convidada a participar de um encontro de Tábua de Queijos, que nada mais é do que uma reunião social disfarçada de comida.
Para viajar pelo mundo dos queijos não é necessário passaporte, mas exige curiosidade. Isto é desprendimento para aceitar aromas diferentes que à primeira vista, parecem ter vindo de outro planeta.
A tábua chega silenciosa à mesa, todos a olham, as conversas se reorganizam, mãos se aproximam, e olhares curiosos se cruzam. Aquele pedaço de madeira se transforma em um verdadeiro palco.
Aos poucos vai revelando seus detalhes: o queijo mais firme chama a minha atenção, se deixa cortar com precisão; o cremoso se espalha, um aroma intenso e marcante desafia os mais cautelosos, é o queijo azul que se apresenta.
Cada um ali conta uma história diferente, mas nenhum fala alto demais.
Os acompanhamentos são apenas coadjuvantes atentos: um pãozinho crocante que sustenta uma fruta doce amarela que equilibra, uma geleia vermelha que surpreende. Nenhum rouba a cena dos queijos, mas todos fazem diferença.
Ali, cada elemento encontra seu papel, sem precisar competir.
O mais curioso de tudo é que ninguém se serve de uma tábua de queijos com pressa. Ela pede pausa, intervalo, uma conversa entre uma fatia e outra.
É um lembrete de que nem tudo na vida precisa ser resolvido com pressa, algumas coisas existem para serem apreciadas, sem o objetivo maior do próprio prazer.
E ao final, quando apenas restam pedaços irregulares e migalhas espalhadas, a sensação que temos é de que algo importante aconteceu ali, o tempo por alguns minutos foi bem vivido e aproximou as pessoas.
A tábua de queijos não alimenta só o corpo. Ela sustenta encontros.








