Era uma tarde quente de céu azul e uma brisa suave.
O sol daquela tarde em Búzios parecia ter combinado com o tempo de ir mais devagar. Não tinha pressa de se pôr, era gosto de ficar. Um presente da natureza.
Sua luz suave batia nas paredes das casas brancas de janelas azuis, refletia nos copos cheios e se espalhava no ar como um convite silencioso para não fazer nada, apenas admirar.
Sentada na varanda de um café, eu observava. Alguém girava o gelo dentro de um copo, como se estivesse pensando na vida ou evitando pensar.
Eu fazia o mesmo com o gelo da minha limonada suíça, tendo à minha frente o mar que respirava em azul, num ritmo suave e melódico.
Uma senhora regava as plantas em seu jardim, com uma calma que não se ensina. Um grupo mais à frente ria por algum motivo. Um casal falava baixinho, como se não quisesse atrapalhar o silêncio da tarde.
Tudo convivia com uma harmonia preguiçosa, dividindo o mesmo cenário que se apresentava diante de nós.
O cheiro de maresia se misturava com o aroma das flores que a senhora regava com carinho.
Por alguns minutos, ninguém parecia ansioso ou preocupado com o depois.
Aquela tarde quente em Búzios era outra coisa. Era de intervalo. Era de pausa. Era quase um segredo.
E, finalmente, quando o sol começou a se pôr, foi como quem diz: “tudo bem, vocês podem continuar sem mim, amanhã eu volto”.
Sua luz dourada se transformou em um tom de cobre, depois em um azul mais profundo, como se o dia estivesse apenas trocando de roupa.
E eu ali, sentada, entre um gole e outro da minha limonada suíça, entre uma risada e o silêncio, ficou a doce sensação de que talvez o melhor de Búzios seja aquilo que quase não se percebe enquanto acontece.
Viva cada momento. Ele é único. E é seu.








