Citações do filósofo, publicista e literato francês Jean Jacques Rousseau, pensamentos com mais de três séculos de existência (verdade não tem idade), nos são convenientes em pleno terceiro milênio. Servem-nos, e muito bem, para ilustrar situações atuais.
“O déspota apenas é senhor enquanto é o mais forte, e logo que o podem expulsar nada tem a reclamar contra a violência. Só a força o mantinha, só a força o derruba. Assim tudo se passa segundo uma ordem natural”.
“É incontestável e é máxima fundamental de todo direito político que os povos elejam chefes para defender sua liberdade e não para escravizá-los? Se possuímos um príncipe, dizia Plínio a Trajano, é preciso que ele nos preserve de ter um senhor”.
O tempo passa. As verdades, não. Tanto é que o “Discurso sobre a Origem das Desigualdades”, de Rousseau, continua tão atual como a violência entre os homens. Raras exceções, evoluímos muito mais em nosso apego às coisas da terra que aos anseios do espírito. Atualizamo-nos em tudo, também nas formas de violência.
Quais desdenhosos discípulos, nos acomodamos neste planeta-escola não permitindo nos incomode a sineta do adeus, a trombeta que anuncia o fim do tempo permitido às nossas provas e expiações… A hora de nossa morte!
Neste plano transitório ainda valorizamos conquistas desonestas, obtidas por conta de nossa tendência ao mal. Ainda não conseguimos absorver toda a verdade sobre essas vitórias aparentes. Diluem-se com o inexorável passar do tempo. O bem e os bons são a finalidade do universo.
Jesus vem tentando incutir isso em nós há mais de 2.000 anos. Como? Com sua permanência constante, com sua insistência em ficar conosco.
Todos se foram: Anás, aquele que fechou os ouvidos à causa do Senhor; Caifás, que subestimou e zombou de sua mensagem; Pilatos, que lavou as mãos; Tibérius, que governava o mundo na época; Judas, que o vendeu. Todos pereceram nas mais humilhantes condições. Só Jesus ficou, crucificou-se à humanidade e não há força que nos separe.
Independentemente da religião, crença ou doutrina vamos aproveitar o início de um novo ano para uma reflexão sobre a realidade do “tudo passa”. Toda forma de despotismo um dia chega ao seu final.
Todos passam. Aqueles que se julgando superiores se comprazem em suas relações perversas, com seus bombardeios constantes ao amor próprio e à autoestima de outrem. Os que se jubilam com seus ataques à integridade psíquica dos outros. Os que vibram com seus abusos morais e emocionais, procedimentos estes que geram o processo de destruição de seu semelhante. Eles passarão, todos passaremos…
Um dia, pouco importando a estatura, a estátua cai… ou é violentamente derrubada!








