
Nascer caboclo. Ter uma choupana
entre mortais, à margem de um ribeiro;
uma faca legítima “lapeana”,
boa viola, bom fumo e bom isqueiro.
Por companheira ter uma serrana
que de amor me falasse o dia inteiro;
exilado viver da gente humana,
nos cafundós do solo brasileiro.
Com uma espingarda boa – das “troxadas”,
veloz cavalo e um cão – raça veadeira,
palmilhar o deserto das estradas…
– Ai! Que felicidade se eu, assim
viver pudesse uma existência inteira,
esquecido de todos e de mim!
Cesídio Ambrogi, Taubaté – Fazenda Santo Antonio, 1919
(Publicado no jornal Tribuna do Norte, edição de 2 de março de 1919)









