
Colaboração Anderson de Carvalho e Bruna Pires*
Fogos de artifício costumam marcar momentos de celebração, no entanto, quando o barulho cessa e a festa termina, muitos cães e gatos ainda permanecem em estado de alerta. Para eles, o som intenso e inesperado não representa diversão, mas ameaça.
Os animais possuem uma audição muito mais sensível do que a humana. Por isso, explosões sonoras podem provocar medo, desorientação e altos níveis de estresse, mesmo após o fim das comemorações.
Medo não é exagero.
O medo de fogos não é “frescura” nem comportamento inadequado. Diante de ruídos intensos, o organismo do animal entra em modo de sobrevivência. É comum observar tremores, tentativas de fuga, vocalizações excessivas, esconderijos e alterações de comportamento. Nesses momentos, o pet não está sendo teimoso ou desobediente, ele apenas reage a um estímulo que percebe como perigoso.
O pânico causado pelos fogos pode ter consequências sérias e até mesmo fatais. Durante tentativas de fuga, alguns animais se ferem gravemente ou se perdem. Em outros casos, o estresse extremo desencadeia colapsos físicos, como ataques cardíacos. São situações reais, que acontecem todos os anos.
O que acontece com o corpo do animal durante os fogos?
Durante o barulho, ocorrem respostas físicas imediatas, como aceleração dos batimentos cardíacos, respiração ofegante, tremores, dificuldade de concentração e de responder a comandos. Por isso, repreender, gritar ou exigir que o animal “se acalme” não funciona. Essas atitudes tendem a intensificar o estresse e a insegurança.
E depois que o barulho termina?
Mesmo após o fim dos fogos, alguns cães e gatos continuam demonstrando sinais de medo. Eles podem ficar mais quietos, procurar locais isolados, evitar interações ou se tornar excessivamente dependentes dos tutores. Esse comportamento indica que o estresse ainda não foi totalmente processado.
Como ajudar o pet após as comemorações.
A postura dos tutores é fundamental para a recuperação emocional do animal. Algumas atitudes simples podem ajudar: manter uma presença calma e segura; respeitar o espaço do animal, sem forçar contato; preservar a rotina de alimentação e descanso; oferecer um ambiente tranquilo e conhecido. Caso os sinais de medo persistam, é importante buscar orientação profissional.
Cuidar também faz parte da festa.
O que para algumas pessoas é motivo de celebração, para outras, humanas e não humanas, pode ser fonte de sofrimento. Além dos animais, fogos barulhentos afetam bebês, idosos, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), indivíduos com ansiedade, estresse pós-traumático ou sensibilidade auditiva. Festas e comemorações devem ser feitas levando em conta o bem-estar coletivo. Assim todos participam do momento de celebração, sem sofrimento, com respeito, empatia e responsabilidade.
Anderson de Carvalho é adestrador de cães (@adestradorandersondecarvalho).
Bruna Pires é jornalista, letróloga e voluntária na ONG Adote.








